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Economia

Fintech bloqueia R$ 900 milhões de clientes; o que está sendo feito para corrigir as atividades dessas instituições?

Cerca de 3 mil investidores não conseguem acessar seus patrimônios

Fintech bloqueia R$ 900 milhões de clientes; o que está sendo feito para corrigir as atividades dessas instituições?

A Naskar Gestão de Ativos Ltda., fintech que operava no Distrito Federal e em São Paulo, deixou cerca de 30 mil clientes desesperados ao interromper as atividades sem aviso prévio nesta semana.

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A estimativa é de que a companhia tenha captado mais de R$ 900 milhões de pessoas de todo o país. Os sócios da empresa são Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei.

Nesta sexta-feira (08), segundo o Metrópoles, a Naskar informou que sofreu uma perda na base de dados e garantiu aos clientes uma regularização na próxima semana.

“Após uma perda em nossa base de dados, estamos conduzindo um processo cuidadoso de auditoria. As equipes técnicas seguem atuando na estruturação das informações, e o processo de circularização junto aos clientes terá início ao longo da próxima semana”, informou a empresa em nota.

No site Reclame Aqui, diversas publicações de clientes indicam que não conseguem acessar a plataforma da fintech desde a última semana, atrasos nos pagamentos, sede fechada e ausência total de comunicação com a empresa.

Entre as principais atividades da Naskar, era sua responsabilidade captar recursos dos investidores, garantindo retorno de 2% ao mês — um valor bem acima do operado pelo mercado atualmente. Por exemplo, se uma pessoa investisse R$ 10 mil na plataforma, receberia retornos mensais de R$ 2 mil.

Os problemas foram detectados após clientes reclamarem sobre o atraso no pagamento que estava previsto para a última segunda-feira (04).

Desde então, os sócios Marcelo Arantes, Rogério Vieira e Maurício Jahu não atendem ligações, nem mensagens ou atualizam as redes sociais.

A Polícia Civil do DF (PCDF) investiga o caso, mas diversos investidores estão com valores bloqueados e sem acesso à plataforma da Naskar.

Diferença entre banco e fintech

Bancos e fintechs não funcionam da mesma maneira. De acordo com o Banco Central (BC), as instituições financeiras que podem ser chamadas de bancos são aquelas especializadas em intermediar o dinheiro entre poupadores e aqueles que precisam de empréstimos, além de guardar esse dinheiro.

Além disso, bancos podem providenciar serviços financeiros para os clientes como saques, empréstimos, investimentos, entre outros.

Já as fintechs são empresas que introduzem inovações nos mercados financeiros por meio do uso intenso de tecnologia. Uma característica essencial é o potencial de criar novos modelos de negócios.

Sua atuação é realizada por meio de plataformas online, sem necessidade de endereço físico, e oferecem serviços digitais inovadores relacionados ao setor. No Brasil, há as seguintes categorias de fintechs: de crédito, de pagamento, gestão financeira, empréstimo, investimento, financiamento, seguro, negociação de dívidas, câmbio, e multisserviços.

Tanto bancos quanto fintechs são supervisionadas pelo Banco Central. Para saber se uma empresa financeira é regulada pelo BC, a autarquia possui um site específico para essa busca de forma reduzida.

Para conseguir a relação de todas as instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central, basta acessar este link.

O que está sendo feito para corrigir essas distorções de mercado em Brasília?

Nos últimos anos, o Banco Central, vem trabalhando com maior autonomia e vem regulando a operação de instituições como as fintechs no Brasil.

Recentemente, a autarquia atualizou sua regulamentação sobre quais atividades cada tipo de instituição financeira pode exercer. Essa é uma nova fase da entidade.

O Bacen também está mais rígido. Isso vem sendo observado com a série de liquidações extrajudiciais efetuadas, especialmente envolvendo o caso do Banco Master — que deflagrou uma fraude de mais de R$ 50 bilhões. Esse endurecimento pode fazer diferença na proteção de clientes.

A liquidação extrajudicial é um mecanismo utilizado pelo BC quando uma instituição financeira não consegue mais cumprir suas obrigações ou viola normas essenciais do setor. Ao ser decretada, a empresa tem seu funcionamento encerrado e passa por um processo organizado de retirada do Sistema Financeiro Nacional.

O regulador recorre à liquidação extrajudicial em casos de insolvência irreversível, quando a empresa não tem condições financeiras de se recuperar, ou diante de infrações graves às regras que regem o mercado financeiro.

Dentro do Congresso Nacional e na Receita Federal, também vem sendo debatida a pauta das fintechs e quais operações elas estão permitidas realizar no país.

O Brasilianista também está nas redes sociais. Confira!