Na noite desta quinta-feira (07), o gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, divulgou uma nota em relação à delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A publicação pode ser interpretada como uma resposta diante da repercussão de diversos conteúdos jornalísticos que afirmaram que Mendonça já teria avisado aos advogados do banqueiro que não pretendia homologar a delação, no formato em que foi encaminhada.
Leia na íntegra a nota de Mendonça
“O ministro tem sido consistente e inequívoco em sua posição sobre o tema da colaboração premiada:
(i) a colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado;
(ii) para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva; e
(iii) as investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração.
Cabe esclarecer, ainda, que o ministro, até o presente momento, não teve acesso ao teor do material entregue pela defesa do caso Master à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
Quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”.
Delação premiada de Vorcaro
O ex-CEO do Banco Master encaminhou na última segunda-feira (05), à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), os anexos da delação premiada em que cita os nomes dos supostos envolvidos na fraude bilionária do grupo financeiro, no âmbito da Operação Compliance Zero.
Conforme mostrou O Brasilianista, o nome de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) é um dos mais cotados para aparecer na delação, apesar de também negociar uma com a PF. Vale lembrar que a relação entre Vorcaro e Costa garantiu que o BRB cobrisse os rombos do Master.
É importante mencionar que os nomes citados pela delação ainda serão investigados, visto que a simples menção não garante sua participação no esquema criminoso. Vorcaro precisará provar o crime cometido junto ao citado e como foi a participação do delatado na ilegalidade.
Até o momento, são 23 nomes cotados para este documento, entre políticos, ministros do STF e familiares e grandes nomes do sistema financeiro.
O que aconteceu com o Master?
O Banco Master se tornou o foco de um dos maiores escândalos do mercado financeiro dos últimos anos, expondo esquemas grandes de corrupção, lavagem de dinheiro e até mesmo organizações criminosas.
A investigação da Operação Compliance Zero apurava possíveis fraudes ao Sistema Financeiro Nacional (SFN). Daniel Vorcaro e o Master já estavam no radar da PF e do Banco Central (BC) por oferecer investimentos com alto retorno a preços bem abaixo do mercado.
As primeiras suspeitas surgiram após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma instituição de economia mista (pública e privada), que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
O estopim foi a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), com o objetivo de cobrir uma possível falência do banco privado. Quando a tentativa foi recusada, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero. No mesmo dia, o Bacen realizou a liquidação extrajudicial da instituição financeira investigada.
Daneil Vorcaro assumiu o controle da instituição financeira em 2019 e mudou o nome para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de renda fixa (CDBs) com alto retorno — algo incomum, visto que ativos de renda fixa costumam garantir maior segurança por riscos e retornos mais baixos do que os ativos de renda variável.
Conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Nessa época, a carteira de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) da instituição subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões em seis anos.
A fraude ocorria da seguinte forma: o Master oferecia CDBs com retornos muito acima do mercado, o banco utilizava os aportes em investimentos de alto risco e começou a perder sua liquidez de curto prazo. Caso acontecesse algum problema com a empresa, os clientes seriam ressarcidos pelo FGC em até R$ 250 mil. Ou seja, o Master nunca teve o objetivo de cumprir com o retorno prometido — uma venda de ativos sem lastro real.
Após a liquidação do Master, outras financeiras ligadas ao grupo, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. É estimado que o rombo no FGC seja de quase R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.

