O advogado criminalista da defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que a operação de busca e apreensão contra o parlamentar causou “perplexidade” e classificou como insuficientes os fundamentos utilizados na decisão. A declaração ocorreu nesta sexta-feira (08), em entrevista exclusiva à TMC.
Para a defesa, como já havia alegado em nota, a medida se baseia apenas em elementos obtidos em celulares de terceiros e não apresenta provas diretas contra ele.
Na última quinta-feira (07), a Operação Compliance Zero marcou Nogueira como alvo da Polícia Federal (PF). De acordo com despacho enviado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, o parlamentar estava relacionado com o ex-dono do grupo financeiro, Daniel Vorcaro, e era bancado por ele em troca de apoio ao Banco Master em Brasília.
Um diálogo entre Vorcaro e um assessor deixaria essa relação clara. No texto de despacho, Mendonça acrescentou o diálogo. Léo Serrano, que trabalhava com Vorcaro, questiona: “Só uma pergunta rápida… é pros meninos continuarem pagando conta dos restaurante do Ciro/Flávia até sábado?”.
Em resposta, o banqueiro afirma que sim e pede para que leve o cartão para “Sr.Barth”, uma referência à ilha São Bartolomeu, no Caribe, destino famoso entre os milionários. A conversa elucida, na visão do minsitro do STF, que Vorcaro custeava despesas pessoais de Ciro.
O Brasilianista mostrou ainda que Nogueira recebeu mesada de Vorcaro pelo menos desde 2021. O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023.
De acordo com KayKay, o advogado de Ciro, não há “qualquer conversa, mensagem ou ação do próprio senador” que justifique a operação.
“Não há absolutamente nenhuma hipótese de ter sido feito pagamento de uma espécie de mesada para o Ciro Nogueira”, disse à TMC.
A condução do caso será levada de forma “calma e técnica” pela defesa de Ciro.
KayKay confirmou a relação comercial entre empresas ligadas à família de Ciro Nogueira e o grupo investigado, porém reforçou que o parlamentar não possui participação nelas.
Notas de defesa
A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) declarou em nota ontem que repudia qualquer associação ilícita sobre suas condutas.
Veja a nota na íntegra:
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, declarou a defesa, em nota obtida pelo O Brasilianista.
O PP (Partido Progressistas) também divulgou uma nota oficial na última quinta-feira. Veja:
“O Progressistas espera que os fatos ocorridos na data de hoje com o presidente Ciro Nogueira Sejam devidamente esclarecidos, com estrita observância ao amplo direito de defesa e ao devido processo legal.
O partido manifesta sua confiança nas instituições e na Justiça brasileira.”
Quem assina a nota é Aldo Rosa, Secretário-Geral do partido.
Delação de Vorcaro
O ex-CEO do Banco Master segue preso e encaminhou na última segunda-feira (05), à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), os anexos da delação premiada em que cita os nomes dos supostos envolvidos na fraude bilionária do grupo financeiro.
O Brasilianista indicou que os nomes citados pela delação ainda serão investigados, visto que a simples menção não garante sua participação no esquema criminoso. Até o momento, são 23 nomes cotados para este documento, entre políticos, ministros do STF e familiares e grandes nomes do sistema financeiro. Ciro Nogueira está entre os nomes cotados para aparecer.
Sobre a delação, o advogado de Ciro Nogueira afirmou que “as delações, da forma como estão sendo levadas no Brasil, deveriam ser simplesmente deixadas de existir”, complementando que delatores “mentem, omitem e protegem”.

