A foto do encontro (veja abaixo) entre o advogado de Daniel Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, e o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Floriano de Azevedo Marques Neto, que é aliado de Alexandre de Moraes, rememorou Brasília de alguns momentos vividos na Lava Jato, segundo O Globo.
Floriano e Juca se encontraram num dos hotéis mais caros de Brasília (DF), em meio à negociação entre Vorcaro, Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF) para o banqueiro firmar delação premiada. Especula-se que o aliado de Moraes foi saber se o dono do Banco Master citou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas o integrante do TSE nega.
Moraes tem sido ligado ao Master por conta do contrato de mais de R$ 100 milhões que sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha com o banco; de mensagens encontradas no celular do banqueiro que seriam destinadas ao ministro do STF e por viagens que o magistrado teria feito em jatinhos ligados a empresas relacionadas à instituição financeira de Daniel Vorcaro.
O magistrado nega ter qualquer relação com o banqueiro.

Há quase nove anos, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi fotografado (veja abaixo) com o advogado Pierpaolo Cruz Bottini numa distribuidora de bebidas em Brasília. Bottini advogava para Joesley Batista naquele momento e o encontro ocorreu um dia após Janot pedir a prisão do empresário.
Joesley Batista foi investigado na Lava Jato por participar de esquemas de corrupção para cooptar políticos e conseguir contratos no Brasil e no exterior. O empresário firmou delação premiada e confessou os crimes que cometeu.
Os processos que envolveram Joesley, assim como a JBS, a J&F e pessoas próximas ao empresário, tiveram tramitação tortuosa no STF, principalmente nos gabinetes de Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, até serem anulados.

O Brasilianista já mostrou que a negociação da colaboração de Daniel Vorcaro no Caso Master recolocou a delação premiada no centro do debate público nacional, assim como foi durante a Lava Jato. quando os crimes confessados ocupavam importante papel nas investigações.
Mas os ecos da Lava Jato não param por aí. Há também o debate sobre o papel do Coaf em investigações sobre crimes financeiros. Após a Lava Jato, o controle sobre Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foi transferido do Ministério da Fazenda para o Banco Central (BC), mas a alteração foi posteriormente desfeita.
As mudanças ajudam a paralisar, mesmo que minimamente, o andamento dos trabalhos do Coaf, que assim como foi na Lava Jato, forneceu à PF e ao MPF informações sobre movimentações financeiras que ajudaram nas investigações ou, no mínimo, constrangeram figuras da alta cúpula da política nacional.
Tanto que durante, e após a Lava Jato, o Supremo Tribunal Federal definiu balizas para PF e MPF utilizarem dados do Coaf e socilitarem informações ao órgão de inteligência financeira. As decisões foram tomadas com o argumento de que era preciso combater a pesca probatória, conhecida como fishing expedition.

