Investidores estrangeiros fizeram um novo aporte no Projeto Autazes, que explora a mineração de potássio no estado do Amazonas, para fornecer fertilizantes essenciais.
A Brazil Potash, empresa de exploração e desenvolvimento mineral anunciou na semana passada que concluiu sua oferta pública subscrita, previamente anunciada, de 7.000.000 ações ordinárias a um preço de oferta pública de US$ 2,50 por ação e bônus de subscrição pré-financiados para a compra de até 18.300.000 ações ordinárias a um preço de oferta pública de US$ 2,499 por bônus.
A receita bruta total da oferta foi de aproximadamente US$ 63,3 milhões — o equivalente a R$ 309,9 milhões —, antes da dedução dos descontos e comissões de subscrição e outras despesas da oferta. A companhia afirma em nota que pretende utilizar a receita líquida da oferta para capital de giro e outras finalidades corporativas gerais.
A Canaccord Genuity foi a coordenadora líder da oferta, atuando em conjunto da Roth Capital Partners. A ArcStone Kingswood, a HC Wainwright & Co. e a Titan Partners atuaram como co-coordenadoras da oferta.
Exploração de potássio
A Brazil Potash está desenvolvendo o Projeto Autazes para fornecer fertilizantes essenciais aos produtores rurais. O país, no entanto, importa boa parte desses fertilizantes, apesar de ter uma das maiores reservas de potássio não exploradas do mundo.
Assim como as terras raras, a exploração mineral dessa reserva é limitada por alguns fatores como a falta de tecnologia, investimento e questões socioambientais.
De acordo com a companhia mineradora, o potássio produzido será transportado principalmente por meio de barcaças fluviais de baixo custo, em um sistema fluvial interior, em parceria com a Amaggi, uma das maiores empresas agrícolas e logísticas de produtos agrícolas do Brasil.
A expectativa é produzir até 2,4 milhões de toneladas de potássio por ano, uma capacidade que poderá suprir aproximadamente 20% da demanda atual desse mineral no Brasil, reduzindo simultaneamente cerca de 1,4 milhão de toneladas de emissões de gases de efeito estufa por ano.
Capacidade mineral do Amazonas
O estado do Amazonas possui um grande potencial de exploração mineral — e não somente pela reserva de potássio.
Esse estado possui ocorrências de terras raras — elementos essenciais para a construção de materiais de tecnologia, mobilidade e setor armamentista — identificadas no depósito de Seis Lagos, majoritatiamente de nióbio com altas concentrações de terras raras.
O recurso estimado é de 43,5 milhões de toneladas de elementos de terras raras (ETR). A exploração na região é impedida por demarcação de terras indígenas.
O Amazonas também possui o depósito de Pitinga, no município de Presidente Figueiredo (AM), com alta concentração de cassiterita. Os elementos terras raras são encontrados nos minerais xenotima, gagarinita, niobidatos e fluocerita.
Um dos principais problemas da exploração de minerais nessa região é o impacto socioambiental que pode causar. Além dos rejeitos e mineração que pode contaminar o ecossistema, há diversas comunidades indígenas que podem ser afetadas por essa tentativa.
Ainda assim, o mercado de fertilizantes pode fazer a diferença no Brasil, visto que o país é majoritariamente exportador agrícola.

