O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (11) que o cessar-fogo temporário envolvendo o Irã está “por um fio”, enquanto autoridades iranianas voltaram a ameaçar uma resposta militar caso novos ataques aconteçam. O cenário aumentou o receio de uma crise prolongada no setor de energia, com impacto direto sobre petróleo, gás natural, alimentos e inflação em diferentes países.
Segundo o The New York Times, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que as forças armadas do país estão prontas para reagir a qualquer ofensiva. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que o Irã está preparado para “todas as opções” e disse que os adversários do país “serão surpreendidos”.
As declarações ocorreram poucas horas depois de Trump dizer, na Casa Branca, que a tentativa de trégua está em situação delicada. O republicano também classificou a proposta iraniana apresentada nas negociações como “um pedaço de lixo” e afirmou que existe uma ala “de lunáticos” dentro do Irã interessada em prolongar o conflito.
A escalada da tensão acontece em meio ao aumento acelerado dos preços dos combustíveis. Desde o início da guerra, o valor da gasolina subiu cerca de 50% nos Estados Unidos. Em resposta, Trump passou a defender a suspensão temporária do imposto federal sobre combustíveis para tentar reduzir o impacto no bolso dos consumidores.
O presidente afirmou que pretende retirar a cobrança “por um período de tempo” e retomá-la quando os preços caírem. Apesar disso, ele reconheceu que o efeito seria limitado. “É uma pequena porcentagem, mas ainda assim é dinheiro”, declarou.
A proposta, no entanto, depende da aprovação do Congresso norte-americano. O imposto federal representa pouco mais de 18 centavos de dólar por galão de gasolina e cerca de 24 centavos no diesel. Mesmo com eventual suspensão, especialistas apontam que o efeito final nos preços seria pequeno diante da disparada internacional do petróleo.
Crise já é comparada aos maiores choques do petróleo
De acordo com O Brasilianista, a Agência Internacional de Energia (AIE) considera o atual bloqueio do Estreito de Ormuz como a maior crise energética das últimas décadas, superando os choques registrados em 1973, 1979 e 2022. O diretor-executivo da entidade, Fatih Birol, classificou o momento como um “choque triplo”, envolvendo aumentos simultâneos nos preços do petróleo, do gás natural e dos alimentos.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas do comércio global de energia. A interrupção do fluxo na região afeta não apenas combustíveis, mas também fertilizantes e insumos industriais usados em diferentes cadeias produtivas.
Segundo a avaliação da AIE, países em desenvolvimento tendem a sofrer mais com o cenário atual por enfrentarem inflação elevada, custos maiores de importação e risco de aumento da dívida externa. A entidade afirma ainda que a crise pode acelerar mudanças no sistema energético mundial, como aconteceu após a guerra na Ucrânia em 2022.
Os episódios históricos citados pela agência tiveram impactos profundos sobre a economia global. Em 1973, durante a Guerra do Yom Kippur, países árabes reduziram a produção de petróleo após o apoio dos Estados Unidos a Israel. Na época, o preço do barril quadruplicou em poucos meses, provocando filas em postos de combustíveis e racionamento.
Já em 1979, a Revolução Iraniana derrubou a produção petrolífera do país e provocou nova disparada nos preços internacionais. O episódio contribuiu para uma forte inflação nos Estados Unidos e levou o Federal Reserve a elevar juros para até 19% no início da década de 1980.
Brasil aparece em posição mais favorável
Em meio ao avanço da crise, o Brasil surge entre os países emergentes menos vulneráveis ao choque energético atual. Ainda, O Brasilianista informou que o país registra saldo positivo de US$ 16,4 bilhões na balança relacionada a petróleo e fertilizantes em 2025.
O desempenho ocorre porque o aumento dos preços internacionais elevou a receita obtida com exportações de petróleo e derivados. Mesmo com déficit na importação de fertilizantes, o saldo brasileiro permanece positivo.
O estudo citado também aponta que o real teve valorização frente ao dólar em meio ao cenário internacional, enquanto economias mais dependentes da importação de energia registraram perda de valor em suas moedas.
Outro ponto destacado é o volume elevado de reservas internacionais brasileiras, estimado em US$ 358 bilhões. Esse montante é visto como uma proteção importante em momentos de instabilidade global e pressão cambial.
Apesar da posição mais confortável em relação a outros emergentes, economistas acompanham o avanço das tensões no Oriente Médio por causa dos efeitos sobre inflação, juros e crescimento econômico. O temor de uma crise prolongada continua ligado principalmente à situação no Estreito de Ormuz e à possibilidade de novos confrontos militares.

