Flávio Bolsonaro tem tentado estabelecer um canal de comunicação com o Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo é a campanha presidencial do senador, que quer mostrar à Corte ser mais moderado do que seu pai foi.
O principal objetivo de Flávio Bolsonaro é estabelecer uma ponte diretamente com Alexandre de Moraes, mesmo tendo pedido o impeachment do ministro do STF em julho de 2025. Para alcançar esse fim, o assunto dosimetria ainda não foi abordado. Fontes com conhecimento do movimento do senador afirmaram a O Brasilianista que Moraes ou outros ministros do STF ainda não responderam.
O movimento de Flávio rumo à moderação política tem sido um dos motes do candidato ao Palácio do Planalto. O senador tem tentado mostrar a todos que tem características de Jair Bolsonaro que o eleitorado valoriza, exceto a radicalização.
Mesmo durante o processo que culminou na condenação de Jair Bolsonaro por tentativa frustrada de Golpe de Estado, Flávio sempre se colocou no grupo voltado à negociação com o STF. Coube a Eduardo Bolsonaro, dos EUA, radicalizar o discurso e inflamar os bolsonaristas contra o STF.
Mesmo no Congresso, Flávio Bolsonaro sempre foi mais próximo ao Centrão do que do bolsonarismo. O senador disse recentemente que Ciro Nogueira, presidente do PP, seria o vice dos sonhos. Mas a operação da Polícia Federal (PF) contra Ciro no Caso Master acabaram com as chances da parceria.
Pesa contra o objetivo de Flávio Bolsonaro a maneira com que seu pai e seus irmãos lidaram com o STF durante os quatro anos em que a família ocupou o Palácio do Planalto. Ministros da Corte não esquecem de Eduardo Bolsonaro falando que bastava um cabo e um soldado para fechar o Supremo.
As reiteradas promessas de pacificação feitas e não cumpridas por Jair Bolsonaro também alimentam a desconfiança do Tribunal, assim como o tom agressivo adotado contra o STF nas redes sociais bolsonaristas, área de atuação de Carlos Bolsonaro.
Durante o governo Jair Bolsonaro, os únicos ministros do STF que mantiveram proximidade, mesmo que mínima, do bolsonarismo foram Dias Toffoli e Luiz Fux, que votou pela absolvição dos golpistas do 8 de Janeiro. Mas os dois ministros não conseguiram fazer com que o bolsonarismo deixasse de ataxar o Tribunal.
Apesar disso, durante o governo do pai, Flávio Bolsonaro conseguiu importante vitória no STF, com a anulação da investigação sobre rachadinhas em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
A apuração foi anulada pela Segunda Turma do STF em novembro de 2021, por 3 votos a 1. Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski (atualmente aposetando da Corte) e Kassio Nunes Marques votaram pela nulidade, enquanto Luiz Edson Fachin votou pela legalidade da investigação.
O argumento dos ministros para anular a investigação foi o fato de Flávio Bolsonaro ter sido eleito senador durante as investigações, transferindo a competência sobre a apuração para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o STF.
Além do STF, a investigação sobre as rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj foi anulada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) em setembro de 2023, após diversas decisões anteriores da Corte limitando o acesso declarando a nulidade de informações coletadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

