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Geopolítica

Tensão entre China e EUA pode escalar para um conflito armado?

Disputa comercial e embates geopolíticos elevaram o nível da rivalidade entre Washington e Pequim nos últimos anos

Tensão entre China e EUA pode escalar para um conflito armado?

A escalada das tensões entre Estados Unidos e China voltou ao centro da política internacional após o anúncio do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping nesta semana.

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O avanço da guerra comercial, os embates tecnológicos, a disputa por influência global e os conflitos paralelos envolvendo Irã, Taiwan e Ucrânia levantaram uma nova dúvida no cenário internacional. A rivalidade entre as duas maiores potências do mundo pode evoluir para um conflito armado?

O tema ganhou força após meses de agravamento nas relações entre Washington e Pequim. Tarifas comerciais, sanções econômicas, restrições tecnológicas e disputas militares indiretas passaram a ocupar espaço permanente na agenda diplomática dos dois países.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação global sobre os limites dessa disputa e quais fatores poderiam levar a uma escalada militar.

Segundo Rodolfo Laterza, mestre em Segurança Pública, especialista em Ciência Política, Sistemas de Segurança e Defesa e analista em geopolítica, o cenário atual é diferente da Guerra Fria tradicional entre Estados Unidos e União Soviética, mas envolve um nível crescente de enfrentamento estratégico.

“Agora a disputa se dá através de confrontos difusos e fragmentados, muitas vezes de forma híbrida e não armada”, afirma.

Pressão econômica virou eixo central da disputa

A rivalidade entre Estados Unidos e China deixou de ser apenas diplomática há alguns anos e passou a atingir diretamente comércio, investimentos e cadeias globais de produção.

O encontro entre Trump e Xi ocorre justamente após um período de forte deterioração econômica entre os países.

Laterza explica que os impactos da guerra tarifária já começaram a atingir empresas e setores estratégicos americanos. Segundo ele, a queda nas trocas comerciais virou um problema político interno para Trump.

“Nos primeiros quatro meses de 2026, o comércio caiu mais de 10%. A atividade de investimento também foi seriamente afetada”, destaca.

O especialista avalia que Trump chega pressionado por empresários e grandes corporações americanas. Entre os executivos que devem acompanhar o presidente americano estão nomes ligados à Tesla, Apple, Boeing, BlackRock e Mastercard.

Segundo Laterza, a intenção dos Estados Unidos é tentar recuperar espaço econômico perdido após o endurecimento das relações comerciais.

“Os EUA tentarão persuadir a China a aumentar as compras de aeronaves da Boeing, produtos agrícolas e energia”, explica.

Taiwan segue como maior ponto de risco militar

Apesar da disputa econômica ocupar o centro das negociações, especialistas internacionais apontam que Taiwan continua sendo o principal foco de risco para uma eventual escalada militar entre China e Estados Unidos.

Como mostrou O Brasilianista, analistas avaliam que Xi Jinping tenta ampliar o reconhecimento internacional da soberania chinesa sobre Taiwan.

A ilha é considerada estratégica por Pequim e segue sendo um dos temas mais sensíveis da política externa chinesa.

O governo chinês considera Taiwan parte de seu território, mesmo sem nunca ter controlado diretamente a ilha após a Revolução Chinesa de 1949. Já os Estados Unidos mantêm apoio militar e político indireto aos taiwaneses.

Guerra híbrida reduz chance de confronto direto

Apesar do aumento das tensões, especialistas apontam que uma guerra convencional entre as duas potências ainda é considerada improvável no curto prazo. O principal motivo envolve o impacto econômico global que um confronto aberto produziria.

Laterza afirma que China e Estados Unidos possuem uma dependência econômica extremamente elevada, o que funciona como elemento de contenção.

“O objetivo da China, por sua vez, é adiar ao máximo um confronto acirrado com os Estados Unidos. E, idealmente, garantir que tal confronto jamais ocorra”, avalia.

O especialista destaca que Pequim ampliou significativamente sua influência global nas últimas décadas. A China domina setores ligados à energia verde, tecnologia digital e terras raras, consideradas estratégicas para a indústria moderna.

“A China conseguiu dominar diversas áreas inovadoras, tecnologias digitais, tecnologias de economia de energia, uso de elementos de terras raras e energia verde”, afirma.

Oriente Médio amplia tensão internacional

A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel também aumentou o grau de tensão internacional. O conflito passou a interferir diretamente nas negociações entre Washington e Pequim.

Segundo Laterza, Trump deve tentar discutir o papel chinês tanto na guerra da Ucrânia quanto no Oriente Médio durante o encontro com Xi Jinping.

“Em relação ao Irã, dificilmente Trump irá obter dos chineses qualquer intervenção”, afirma.

O especialista destaca que Pequim mantém relações econômicas e estratégicas importantes com o governo iraniano. Além disso, a China depende fortemente da importação de petróleo vindo do Oriente Médio.

O temor global sobre armas nucleares também aumentou após a escalada militar no Irã. Especialistas internacionais passaram a discutir o risco de uma nova corrida armamentista nuclear em diferentes regiões do mundo.

Governos podem buscar desenvolvimento nuclear como forma de proteção diante da insegurança internacional crescente e da percepção de fragilidade das alianças militares americanas.

Laterza afirma que os Estados Unidos tentam preservar sua posição dominante no sistema global diante do crescimento chinês.

“Isso levou a um choque comercial, geopolítico, geoeconômico e tecnológico crescente com os EUA, que buscam manter a superioridade e supremacia em todos os níveis”, destaca.

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