Os Estados Unidos e Israel ampliaram significativamente a campanha militar contra o Irã e passaram a atingir uma série de instalações estratégicas distribuídas pelo país.
A operação foi planejada para cumprir quatro objetivos anunciados pelo presidente Donald Trump: destruir a capacidade iraniana de produzir mísseis, enfraquecer a Marinha do país, impedir o avanço do programa nuclear e reduzir a capacidade do regime de financiar e armar grupos aliados na região.
Segundo o Pentágono, mais de 2 mil alvos haviam sido atingidos nos primeiros dias da ofensiva, incluindo instalações militares, sistemas de defesa aérea, centros de comando, bases de lançamento de mísseis e estruturas ligadas ao programa nuclear iraniano.
Liderança do regime
Os primeiros ataques concentraram-se sobre a cúpula política e militar iraniana. A operação resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, além do ministro da Defesa Amir Nasirzadeh, do chefe do Estado-Maior Abdolrahim Mousavi, do comandante da Guarda Revolucionária Mohammad Pakpour e do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Além das principais lideranças, EUA e Israel bombardearam estruturas utilizadas pelas forças de segurança interna do país. Entre elas estavam o Regimento de Fronteira Mehran, localizado na província de Ilam, próximo à fronteira com o Iraque, e a Estação de Comando de Aplicação da Lei (LEC), em Teerã, apontada como uma das instituições responsáveis pela repressão aos protestos registrados entre o fim de 2025 e o início de 2026.
Outro alvo foi a infraestrutura digital do regime. Hackers atribuídos aos dois países invadiram sites de notícias iranianos e um aplicativo religioso utilizado por milhões de pessoas para divulgar mensagens contra o governo.
Em resposta, Teerã reduziu drasticamente o acesso à internet em todo o território iraniano, limitando a conectividade a cerca de 1%, segundo monitoramentos citados pela publicação.
Escola de meninas e outras áreas civis também foram atingidas
Outro episódio que ganhou repercussão internacional foi o bombardeio da escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do Irã.
A unidade foi atingida durante a primeira onda de ataques, quando também era alvo uma base da Guarda Revolucionária localizada nas proximidades.
O governo iraniano atribuiu a destruição da escola à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel. Imagens do local foram verificadas de forma independente por veículos internacionais, mas o número de mortos divulgado pelas autoridades iranianas não teve confirmação independente.
Investigações posteriores apontaram que a escola ficava próxima de uma instalação militar, levantando hipóteses de erro de inteligência ou falha no ataque.
Outro eixo central da ofensiva é o programa nuclear iraniano. Os ataques atingiram áreas próximas à sede da Organização de Energia Atômica do Irã, em Teerã, onde funciona o Reator de Pesquisa da capital iraniana.
Também foram registrados bombardeios contra a planta subterrânea de enriquecimento de urânio de Natanz. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou danos em edifícios de acesso ao complexo, embora tenha informado que, até o momento, não foram observadas consequências radiológicas decorrentes dos ataques.
Além das instalações nucleares, a operação passou a atingir centros de comando militar, redes logísticas, instalações industriais ligadas à produção de armamentos e sistemas de defesa aérea.
Enquanto as forças americanas concentraram ataques contra infraestrutura estratégica, Israel direcionou sua ofensiva principalmente para lançadores de mísseis balísticos e integrantes da liderança iraniana.
A campanha também destruiu aeronaves militares. Entre os equipamentos atingidos estão um caça F-4 e dois caças F-5 iranianos que estavam posicionados na 2ª Base Aérea Tática de Artesh, em Tabriz, considerada uma das principais bases da aviação militar do país.
Bases de mísseis ampliaram lista de alvos
A ofensiva entrou em uma nova fase quando o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter bombardeado 90 instalações militares iranianas entre os dias 7 e 8 de julho.
Os ataques concentraram-se em sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis, centros de armazenamento de drones e infraestrutura logística distribuída principalmente ao longo da costa iraniana.
Segundo Washington, a operação pretendia reduzir a capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais que cruzam o Estreito de Hormuz.
Explosões foram registradas nas cidades de Bandar Abbas, Bushehr, Jask, Sirik e na ilha de Abu Musa. Autoridades iranianas também anunciaram a mobilização de sistemas antiaéreos para tentar conter novas investidas americanas, enquanto o governo dos Estados Unidos classificou a operação como uma resposta direta aos ataques iranianos contra navios comerciais.
Alvos passaram a incluir pontes
O encerramento do cessar-fogo levou os Estados Unidos a ampliar gradualmente os objetivos militares da campanha.
Além das instalações nucleares e das bases de mísseis, passaram a ser atingidas pontes, usinas de energia, instalações subterrâneas, radares, estruturas militares próximas ao Estreito de Hormuz e posições utilizadas para defesa costeira.
A cronologia do conflito mostra que praticamente todos os dias novas instalações foram acrescentadas à lista de objetivos militares.
Durante esse período, também foram bombardeadas áreas próximas à Ilha de Kharg, importante centro petrolífero iraniano, além da chamada Montanha da Picareta, estrutura subterrânea associada ao programa nuclear do país.
Segundo autoridades americanas, parte desses ataques buscava eliminar capacidades militares consideradas essenciais antes de operações de maior complexidade contra o território iraniano.
Campanha também atingiu litoral
Os ataques passaram a atingir de forma sistemática a infraestrutura localizada ao longo do litoral iraniano.
Foram bombardeadas instalações das defesas costeiras, depósitos de mísseis e drones, usinas de energia, torres de controle marítimo, pontes e unidades de dessalinização de água. Também foram registrados ataques próximos às cidades de Ahvaz, Bandar Abbas e à ilha de Kish.
Enquanto isso, Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Arábia Saudita acionaram sistemas de defesa para interceptar drones e mísseis disparados pelo Irã como resposta às operações americanas.
Terceira rodada ampliou destruição de instalações militares
Uma das maiores ofensivas ocorreu após o fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã. Segundo o Centcom, aproximadamente 140 alvos militares foram atingidos em uma única rodada de bombardeios.
Entre as estruturas destruídas estavam bases de mísseis e drones, instalações navais, depósitos de munição, redes de comunicação, postos de vigilância costeira e outras posições militares distribuídas pelo sul do país. A imprensa iraniana registrou explosões em Bandar Abbas, Sirik, Jask, na ilha de Qeshm e na província do Khuzistão.
Após três noites consecutivas de operações, os Estados Unidos informaram que já haviam ultrapassado 300 alvos militares destruídos no Irã.
Paralelamente, Teerã manteve ataques contra países vizinhos do Golfo e iniciou negociações com Omã e Catar para discutir a segurança da navegação no Estreito de Hormuz, enquanto Washington afirmava que a campanha militar continuaria voltada à destruição da infraestrutura considerada estratégica para a capacidade militar iraniana.

