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Geopolítica

Disputa entre China e EUA pode ser nova Guerra Fria?

Rivalidade entre Washington e Pequim mistura tensão comercial, tecnologia, influência global e disputas militares

Disputa entre China e EUA pode ser nova Guerra Fria?

A crescente disputa entre Estados Unidos e China tem levado especialistas e analistas internacionais a classificarem o cenário atual como uma “nova Guerra Fria”.

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A expressão ganhou força diante do aumento das tensões comerciais, tecnológicas e geopolíticas entre as duas maiores potências do mundo, especialmente após o agravamento da guerra tarifária iniciada pelo governo Donald Trump.

O debate voltou ao centro das discussões internacionais após a confirmação do encontro entre Trump e Xi Jinping nesta semana.

A reunião acontece em meio ao avanço das disputas econômicas, tensões envolvendo Taiwan e divergências sobre os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

Segundo Rodolfo Laterza, mestre em Segurança Pública, especialista em Ciência Política, Sistemas de Segurança e Defesa, historiador e analista em geopolítica, a rivalidade atual possui diferenças importantes em relação ao confronto travado entre Estados Unidos e União Soviética durante o século XX.

“É diferente do contexto da Guerra Fria de 1945-1991”, afirma.

O especialista explica que, no passado, a disputa era marcada principalmente pelo choque ideológico entre capitalismo e comunismo. Agora, segundo ele, o cenário envolve uma competição mais ampla e fragmentada.

“Agora a disputa se dá através de confrontos difusos e fragmentados, muitas vezes de forma híbrida e não armada”, destaca.

Disputa vai além da guerra comercial

Segundo Rodolfo Laterza, o conflito atual entre chineses e americanos deixou de ser apenas econômico e passou a envolver diferentes áreas estratégicas.

“Isso levou a um choque comercial, geopolítico, geoeconômico e tecnológico crescente com os EUA”, explica.

O especialista afirma que a disputa ganhou força principalmente após a ascensão tecnológica chinesa nas últimas duas décadas.

Segundo ele, Pequim conseguiu ampliar influência em setores considerados estratégicos para a economia global.

“A China conseguiu dominar diversas áreas inovadoras, tecnologias digitais, tecnologias de economia de energia, uso de elementos de terras raras e energia verde”, afirma.

De acordo com Laterza, esse crescimento passou a ser visto pelos Estados Unidos como uma ameaça direta à liderança global americana.

Os EUA, segundo o analista, tentam preservar o status de principal potência econômica, tecnológica e militar do planeta diante do avanço chinês em diferentes mercados internacionais.

Guerra Fria original tinha outra dinâmica

De acordo com a National Geographic, a Guerra Fria original aconteceu entre 1947 e 1991 e foi marcada pela disputa entre Estados Unidos e União Soviética após a Segunda Guerra Mundial.

O período ficou caracterizado pela polarização ideológica entre capitalismo e comunismo, além da corrida armamentista nuclear e da corrida espacial.

O termo “Guerra Fria” surgiu em 1945, criado pelo escritor britânico George Orwell, para descrever um cenário de tensão permanente sem confronto militar direto entre grandes potências.

O conflito entre americanos e soviéticos impactou praticamente todas as relações internacionais da época, dividindo o mundo em dois grandes blocos políticos e militares.

O Muro de Berlim se tornou um dos principais símbolos daquele período ao separar a Alemanha Ocidental, alinhada aos Estados Unidos, da Alemanha Oriental, ligada à União Soviética.

China comunista se consolidou após revolução

A origem do modelo político chinês atual remonta à Revolução Chinesa, concluída em 1949 com a chegada do Partido Comunista Chinês ao poder sob liderança de Mao Tsé-Tung.

O processo revolucionário colocou fim à guerra civil travada entre os comunistas e o Kuomintang, partido nacionalista apoiado pelos Estados Unidos.

Após a vitória comunista, os nacionalistas liderados por Chiang Kai-shek se refugiaram em Taiwan, território que até hoje é reivindicado pela China continental.

A Revolução Chinesa aproximou inicialmente Pequim da União Soviética durante os primeiros anos da Guerra Fria.

Após a morte de Mao Tsé-Tung em 1976, a China iniciou uma abertura econômica gradual que permitiu ao país alcançar o atual status de superpotência econômica.

Taiwan continua como centro da tensão

Segundo Rodolfo Laterza, Taiwan permanece como um dos temas mais sensíveis da relação entre China e Estados Unidos.

O especialista explica que Pequim considera a ilha uma província rebelde e vê qualquer aproximação americana com Taiwan como uma ameaça direta à soberania chinesa.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos mantêm apoio político e militar ao território, ampliando as tensões na região asiática.

Segundo Laterza, o encontro entre Trump e Xi Jinping também deve abordar o tema, embora seja improvável qualquer avanço significativo nas negociações.

Conflito atual evita confronto militar direto

Apesar do aumento da rivalidade, especialistas avaliam que tanto Washington quanto Pequim tentam evitar um confronto militar aberto devido aos impactos econômicos e estratégicos globais.

Segundo Rodolfo Laterza, os dois lados buscam preservar espaço político e econômico sem provocar uma ruptura total das relações diplomáticas.

“Trump precisa evitar perder a face nas negociações, evitar perder sua posição e, ao mesmo tempo, evitar um rompimento total com o presidente chinês Xi Jinping”, afirma.

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