O Senado dos Estados Unidos confirmou, nesta quarta-feira (13), Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve, o banco central americano, em uma votação apertada de 54 votos a 45. A escolha representa uma vitória política para Donald Trump, que buscava trocar Jerome Powell havia meses, mas a chegada do novo comandante já começa cercada por obstáculos econômicos.
Segundo The Washington Post, Warsh assume o cargo em um momento de inflação acima da meta oficial de 2% e com o mercado reduzindo as apostas em cortes de juros no curto prazo. O cenário dificulta uma resposta imediata ao desejo declarado de Trump, que tem cobrado taxas menores para estimular a atividade econômica.
A posse também marca uma mudança rara no Fed. Powell deixa a presidência, mas seguirá no conselho da instituição, onde ainda tem mandato por mais dois anos. A permanência do ex-presidente pode manter influência interna em uma fase de divergências sobre os rumos da política monetária.
Votação apertada e clima político
A confirmação de Warsh ocorreu praticamente em linhas partidárias. Apenas o senador democrata John Fetterman votou a favor do indicado por Trump. O placar ficou distante das aprovações amplas recebidas por antigos chefes do Fed, o que mostra o ambiente político mais dividido em Washington.
De acordo com informações da CNBC, Kevin Warsh tem 56 anos e já integrou o Federal Reserve entre 2006 e 2011, período marcado pela crise financeira global. Na época, atuou durante as medidas emergenciais adotadas para evitar um colapso maior da economia americana.
Antes da nomeação atual, ele também foi banqueiro no Morgan Stanley e, nos últimos anos, passou a criticar decisões recentes do banco central. Em entrevistas, defendeu mudanças profundas na condução monetária.
Inflação complica promessa de juros menores
A expectativa de parte da base política de Trump era de cortes rápidos nos juros após a troca de comando. No entanto, novos indicadores mostraram aceleração da inflação em abril, o que diminuiu essa possibilidade já para a reunião de junho.
Analistas citados pela imprensa americana passaram a considerar até mesmo a chance de manutenção prolongada das taxas ou eventual alta mais adiante, caso a pressão nos preços continue.
Hoje, o Fed enfrenta um dilema. Se elevar juros, pode desacelerar ainda mais a economia. Se reduzir, corre o risco de alimentar a inflação. Manter tudo como está também pode ter custos, já que preços elevados reduzem o efeito real da política atual.
Primeiro teste chega em junho
Warsh comandará sua primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto nos dias 16 e 17 de junho. O encontro será acompanhado de perto por investidores, empresas e pela Casa Branca.
Durante sua sabatina no Senado, o novo presidente afirmou que atuará com independência. “O presidente nunca me pediu para me comprometer com cortes de juros em qualquer reunião específica durante meu período no Fed”, declarou.
Além dos juros, Warsh já indicou que pretende rever o tamanho do balanço patrimonial do banco central, hoje em trilhões de dólares, tema que pode abrir novo debate sobre o papel da instituição.
Patrimônio e exigências éticas
Relatórios financeiros apontam que Warsh será um dos presidentes mais ricos da história moderna do Federal Reserve, com patrimônio superior a US$ 100 milhões. Por causa das regras internas, ele deverá vender ou se desfazer de parte dos investimentos enquanto estiver no cargo.
A situação também aumenta a atenção sobre conflitos de interesse e transparência, tema que ganhou relevância após episódios envolvendo operações financeiras de autoridades monetárias nos últimos anos.

