As investigações da Polícia Federal (PF) mostram que Daniel Bueno Vorcaro e seu pai, Henrique Moura Vorcaro, atuavam como milicianos, inclusive ameaçando prestadores de serviço, ao liderarem o grupo criminoso que protegia o esquema fraudulento do Banco Master.
As informações coletadas pela PF estão na decisão proferida por André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Henrique e outros investigados nesta quinta-feira (14). O período compreendido pelos dados apresentados pela PF vai de 2024 até abril deste ano.
Nesse interim, foram deflagradas três fases da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025. O documento mostra Henrique ordenando serviços ilícitos e financiando o grupo antes e após as prisões de seu filho — em novembro de 2025 e em 4 de março deste ano.
Um dos episódios destacados pela PF como modelo miliciano de operação envolveu a intimidação de Luis Felipe Woyceichoski, comandante da embarcação de Daniel Vorcaro. Em 4 de junho de 2024, após Daniel ordenar que o grupo “fosse para cima”, sete homens foram até a Marina Bracuhy, em Angra dos Reis (RJ), para ameaçar o capitão.
O braço operacional carioca era liderado por Manoel Mendes Rodrigues, descrito como “empresário do jogo do bicho” no RJ. De acordo com a PF, é plausível que esta célula local seja um grupo “paramilitar” formado por operadores do jogo bicho, milicianos e policiais para praticar atos violentos e intimidar desafetos.
A milícia chefiada pelos Vorcaro contava, inclusive, com a participação de policiais federais. Um agente da ativa e outro aposentado, além de um delegado da PF, utilizaram seus cargos para acessar sistemas sigilosos para ajudar Daniel e Henrique a escaparem das autoridades.
A Turma e Os Meninos

A organização dividia-se em dois núcleos principais, gerenciados por Felipe Mourão, conhecido como Sicário, que se matou na Superintendência da PF em Minas Gerais (MG) após ser preso. Um deles era A Turma, focada em ameaças, intimidações presenciais, investigações clandestinas e obtenção de dados sigilosos.
O outro núcleo, chamado de Os Meninos, é considerado pela PF o braço tecnológico da milícia de Vorcaro por ser formado por hackers e ser demandado a praticar ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubar perfis e monitoramento ilegal.
Os Meninos tinham uma estrutura empresarial formal por meio da Bipe Software Brasil Ltda, que pertence a David Henrique Alves e serviu para lavar o recebimento de R$ 75 mil mensais pagos pelos Vorcaro para custear as atividades ilícitas.
Resumo das Acusações da PF
- Daniel Bueno Vorcaro: Liderança do núcleo central da organização criminosa; demandante de ataques e monitoramentos.
- Henrique Moura Vorcaro: Financiador e operador financeiro do grupo; solicitante de serviços ilícitos mesmo após o início das investigações.
- Marilson Roseno da Silva: Liderança operacional da “A Turma”; coordenação de ações violentas e corrupção de policiais.
- David Henrique Alves: Liderança do núcleo “Os Meninos”; coordenação de crimes cibernéticos e ocultação de provas digitais.
- Manoel Mendes Rodrigues: Liderança de braço local no RJ; elo com o Jogo do Bicho e execução de intimidações físicas.
- Anderson Wander da Silva Lima (PF) e Sebastião Monteiro Júnior (PF aposentado): Atuação em braço policial-informacional e realização de consultas indevidas a dados sigilosos.
- Valéria Vieira Pereira da Silva (Delegada PF): Violação de sigilo funcional e repasse de informações estratégicas de inquéritos.
- Empresas Roseno & Ribeiro, King Participações, Bipe Software, Drogaria Saúde Vida foram usadas para pagamentos e circulação de recursos ilícitos, além de emissão de notas fiscais fraudulentas.
Pedidos da PF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou integralmente com os pedidos da PF, destacando a necessidade de interromper a continuidade delitiva. Os pedidos da Polícia Federal incluíram:
- Prisão Preventiva de Henrique Moura Vorcaro, David Henrique Alves, Manoel Mendes Rodrigues e dos policiais envolvidos (Anderson Wander e Sebastião Monteiro), entre outros.
- Afastamento do cargo público da delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva.
- Proibição de contato com policiais federais e de acesso a dependências da PF para os investigados Valéria e Francisco José Pereira da Silva.
- Inclusão de Marilson Roseno da Silva no Sistema Penitenciário Federal.
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

