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Justiça

Caso Master: Saiba como funcionavam os grupos “A Turma” e “Os Meninos”

Decisão do STF detalha divisão interna de tarefas entre braço presencial e núcleo hacker

Caso Master: Saiba como funcionavam os grupos “A Turma” e “Os Meninos”

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou novas medidas na Operação Compliance Zero descreve a existência de dois grupos apontados pela Polícia Federal como braços operacionais da organização investigada no Caso Master.

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Segundo o documento, os núcleos eram chamados de “A Turma” e “Os Meninos” e teriam atuado de forma complementar dentro da estrutura atribuída ao empresário Daniel Vorcaro.

De acordo com a representação policial citada pelo ministro André Mendonça, o grupo “A Turma” seria responsável por ameaças presenciais, intimidações, obtenção de dados sigilosos e consultas indevidas a sistemas governamentais.

Já “Os Meninos” teria perfil voltado para operações digitais, invasões telemáticas, ataques cibernéticos e monitoramento ilegal.

A decisão também afirma que os investigadores identificaram continuidade das atividades mesmo após fases anteriores da Operação Compliance Zero.

Segundo o STF, a Polícia Federal sustenta que houve ampliação do mapeamento dos integrantes e maior detalhamento da divisão interna de funções dentro dos dois grupos.

Núcleo presencial reunia policiais e operadores do jogo do bicho

“A Turma” era apontada como o braço presencial da organização investigada. A estrutura teria sido usada para acompanhamento físico de alvos, levantamentos clandestinos e obtenção de informações reservadas.

A Polícia Federal afirma que o grupo tinha participação de policiais federais da ativa, agentes aposentados, operadores do jogo do bicho e outras pessoas ainda não totalmente identificadas.

A decisão cita que a liderança operacional do núcleo seria exercida pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

O documento também aponta que Manoel Mendes Rodrigues, descrito pela investigação como operador do jogo do bicho no Rio de Janeiro, comandaria um braço regional do grupo.

A estrutura local seria utilizada em ações de pressão e intimidação ligadas aos interesses do núcleo investigado.

PF relata ameaças, monitoramentos e consultas ilegais

A decisão do STF descreve episódios em que integrantes de “A Turma” teriam realizado monitoramento de pessoas consideradas desafetas de Daniel Vorcaro.

A investigação identificou pedidos para levantamento de dados pessoais, rotina e localização de alvos acompanhados pelo grupo.

Em um dos trechos citados pela Polícia Federal, o grupo teria atuado para obter informações sigilosas sobre investigações em andamento.

O documento afirma que policiais investigados acessavam sistemas internos da corporação para repassar dados reservados ao núcleo criminoso.

A decisão ainda registra que a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva são investigados por suposto compartilhamento indevido de informações obtidas no sistema e-Pol. Os dados seriam encaminhados para Marilson Roseno da Silva.

Grupo hacker teria estrutura própria de tecnologia

Já o núcleo chamado “Os Meninos” aparece na investigação como uma célula especializada em ações digitais.

O grupo seria responsável por invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e monitoramento clandestino.

A Polícia Federal afirma que o grupo era liderado por David Henrique Alves. Ele seria responsável por recrutar operadores com perfil hacker para executar ataques digitais e ações de monitoramento ilegal.

Os integrantes do núcleo receberiam pagamentos para realizar invasões, acessar dispositivos eletrônicos, derrubar contas em redes sociais e até ocultar possíveis provas digitais.

A decisão também cita suspeitas de utilização de softwares, domínios de internet e ferramentas ligadas à inteligência artificial.

Estrutura teria pagamentos fixos e divisão de tarefas

A decisão do STF descreve que os dois grupos funcionariam dentro de uma estrutura hierárquica ligada ao núcleo central investigado no Caso Master. Segundo a Polícia Federal, ambos seriam gerenciados por Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”.

O documento aponta que a investigação identificou pagamentos periódicos para manutenção das operações.

Integrantes de “A Turma” receberiam cerca de R$ 400 mil mensais, enquanto operadores ligados a “Os Meninos” teriam remunerações fixas para atividades digitais.

A Polícia Federal também afirma que havia uma camada de apoio patrimonial e contábil para sustentar financeiramente os grupos.

A investigação cita pessoas responsáveis por pagamentos, emissão de notas fiscais e movimentações ligadas à estrutura operacional investigada.

Investigação aponta continuidade das atividades após operações

Os investigadores afirmam que as atividades atribuídas aos grupos continuaram mesmo depois das fases ostensivas da Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal sustenta que houve persistência das ações investigadas e identificação de novos integrantes ao longo das apurações.

O documento cita episódios de troca de números telefônicos, uso de contatos internacionais e tentativas de dificultar o rastreamento das comunicações realizadas pelos investigados.

A decisão também menciona suspeitas de ocultação de equipamentos eletrônicos após fases anteriores da operação.

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