A operação da Polícia Federal que atingiu o ex-governador Cláudio Castro colocou o Grupo Refit no centro de uma das investigações mais delicadas sobre poder político, estrutura empresarial e bilhões em débitos tributários no Rio de Janeiro. Conforme já explicado pelo O Brasilianista, a apuração sustenta que Castro teria usado o comando do estado para favorecer Ricardo Magro, dono do conglomerado, incluindo a sanção da Lei Complementar 225/2025, apontada pelos investigadores como peça central para beneficiar interesses fiscais ligados ao empresário.
O caso lançou luz não apenas sobre a relação entre autoridades públicas e o empresário, mas também sobre uma pergunta que ganhou força após a operação: afinal, quantas empresas integram o grupo Refit e qual é o tamanho dessa estrutura?
Segundo a Forbes Brasil, a base do grupo está na antiga Refinaria de Petróleo de Manguinhos, inaugurada em 1954 como a primeira refinaria privada do estado do Rio de Janeiro. A unidade surgiu em meio à campanha “O petróleo é nosso”, tornou-se peça importante para o abastecimento regional e, ao longo das décadas, passou por mudanças operacionais, abertura de capital, crises financeiras, recuperação judicial e troca de controle até chegar ao comando do Grupo Andrade Magro, em 2008.
Da antiga Manguinhos à marca Refit
A entrada do grupo de Ricardo Magro marcou uma nova fase para a refinaria. Após investimentos em modernização e retomada operacional, a companhia reposicionou sua marca em 2017, adotando o nome Refit.
Esse movimento colocou a antiga Manguinhos novamente entre as maiores refinarias privadas do país. A estrutura industrial, localizada às margens da Avenida Brasil, no Rio, passou a operar com grande capacidade de armazenagem e distribuição, o que ampliou o peso econômico do grupo no mercado de combustíveis.
Apesar disso, a própria discussão sobre quantas empresas formam o grupo ganhou força porque os documentos mencionados pela PF tratam de outras companhias ligadas ao conglomerado, embora não detalhem publicamente uma lista consolidada de todas elas. O que aparece de forma objetiva é a existência de múltiplas empresas associadas ao grupo, já que parte da dívida investigada não está restrita à refinaria principal.
PF amplia suspeitas sobre influência política e regulatória
A investigação não se limita à questão fiscal. Segundo O Brasilianista, o relatório da Polícia Federal também aponta suspeitas de articulação para obtenção de registros empresariais, liberação de licenças e tentativa de driblar medidas adotadas pela Agência Nacional do Petróleo após apreensões e interdições relacionadas às operações do grupo.
Entre os pontos investigados estão registros concedidos sem aval prévio da ANP, interlocução com integrantes da Secretaria de Fazenda e tentativas de reverter autuações que atingiram diretamente negócios ligados a Ricardo Magro.
O avanço dessas suspeitas ampliou o debate sobre o alcance institucional do grupo e levou a investigação para além da refinaria, atingindo sua relação com estruturas administrativas e regulatórias.
Concorrência e estrutura de poder sob investigação
O Brasilianista informou ainda que a PF também descreve indícios de atuação coordenada para monitorar concorrentes e influenciar decisões administrativas consideradas estratégicas para os interesses do conglomerado.
A investigação aponta suspeitas sobre acompanhamento de inscrições estaduais de competidores, influência em processos fiscais e relações com agentes públicos em diferentes áreas do estado.
Ou seja, enquanto a apuração avança, o nome Refit deixa de aparecer apenas como herdeiro da antiga Refinaria de Manguinhos e passa a ocupar espaço central em uma investigação que envolve bilhões em tributos, estrutura empresarial ampliada e suspeitas sobre conexões políticas e administrativas no Rio de Janeiro.

