O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tinha alguns amigos poderosos que permitiram seu sistema fraudulento seguir funcionando.
Mensagens obtidas pelo Estadão confirmam que Vorcaro e o presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, realizaram uma troca de imóveis pelo investimento de R$ 12 bilhões do BRB no Master.
Costa teria perguntado a Vorcaro qual seria “sua necessidade de caixa” para poder viabilizar os repasses do BRB ao banco privado. A Polícia Federal (PF), no âmbito da Operação Compliance Zero, revela que Costa recebeu propina por seis imóveis de luxo, em valor total de R$ 146 milhões.
O ex-presidente do BRB também está preso em meio às investigações da PF e STF. Conforme as apurações avançam, novos nomes também foram acionados.
Cláudio Castro
Os investigadores também afirmaram que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL),facilitava os negócios de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master, no estado por meio de desvios de recursos do RioPrevidência para fundos ligados ao Master.
O RioPrevidência investiu quase R$ 1 bilhão diretamente no Master e outros R$ 1,6 bilhão em fundos relacionados à instituição financeira. A operação também mira possíveis irregularidades administrativas e financeiras envolvendo a gestão dos recursos públicos.
Segundo a representação, a atuação do ex-governador não se limitou a contatos institucionais, mas envolveu vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master, caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e no exterior, custeados pelo banqueiro. O que chama a atenção é a sincronia entre os encontros e os aportes realizados da RioPrev ao Master.
Ciro Nogueira
Em relação ao envolvimento do senador Ciro Nogueira (PP-PI) com o banco Master, o despacho enviado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirma que ele estava relacionado com Daniel Vorcaro e era bancado por ele em troca de apoio ao Banco Master em Brasília.
Nogueira recebeu mesada de Vorcaro pelo menos desde 2021. O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023. Sua defesa alega que as afirmações são falsas, sustentadas sob mensagens de terceiros e não provas concretas.
Flávio Bolsonaro
Vorcaro foi o principal financiador do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro em sua campanha eleitoral de 2022, tratada como uma jornada heroica. Ainda, O Brasilianista mostrou como ele queria controlar a repercussão midiática do longa metragem.
Em negociações com o senador Flávio Bolsonaro, o empresário investiu cerca de R$ 134 milhões para a produção do longa. A confirmação dessas transações gerou forte crise para o parlamentar, que antes afirmava não ter qualquer vínculo pessoal ou comercial com Vorcaro ou o Master.
Porém, mensagens coletadas pelo Intercept Brasil revelaram diálogos entre os dois, incluindo um em que o parlamentar escreveu ao empresário um dia antes da prisão dele: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.
Vale lembrar que, até o momento, não há informações sobre algum crime cometido por Flávio Bolsonaro, mas a crise é suficiente para manchar sua reputação faltando cinco meses para as eleições presidenciais.

