O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta uma forte crise em sua campanha eleitoral, com três notícias que vieram à tona nos últimos oito dias. O impacto é tanto que sua pré-candidatura ao Planalto está praticamente descartada entre aliados no Centrão e mercado financeiro.
Além de uma ligação direta com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o filho de Jair Bolsonaro ter sido confirmada, duas operações diferentes da Polícia Federal (PF) tiveram como alvo nesta semana o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, ambos fortes aliados de Flávio em Brasília.
Flávio e Vorcaro
Na última quarta-feira (13), uma reportagem do Intercept Brasil divulgou mensagens, comprovantes bancários e áudios que evidenciam uma negociação de cerca de US$ 24 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época, entre Flávio e Vorcado para financiar o filme “Dark Horse”, produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Vale lembrar que o banqueiro Daniel Vorcaro é ex-dono do Banco Master e responde por uma fraude bancária bilionária, além de ser investigado por atuar como miliciano em organizações criminosas e corrupção.
Flávio defende que o financiamento foi uma negociação privada, sem qualquer verba pública utilizada. No entanto, a informação interfere diretamente na narrativa que vinha sendo relatada pelo pré-candidato ao Planalto, de que não possui nenhum vínculo pessoal ou comercial com Vorcaro ou o Master.
Investigação de Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) se tornou alvo da Polícia Federal (PF) no dia 7 de maio, quando a Operação Compliance Zero cumpriu um mandado de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar.
O despacho enviado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirma que Nogueira estava relacionado com o ex-dono do grupo financeiro, Daniel Vorcaro, e era bancado por ele em troca de apoio ao Banco Master em Brasília.
O Brasilianista mostrou que Nogueira recebeu mesada de Vorcaro pelo menos desde 2021. O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023.
A defesa do senador nega as acusações, indicando que não há comprovações diretas entre Ciro e Vorcaro que indiquem esse vínculo, além de mensagens de terceiros.
Em vídeo nas redes sociais, Nogueira indica que seria “vítima de ataque em ano eleitoral” em meio às investigações da Operação Compliance Zero — principal investigação da PF em relação ao caso Master.
Investigação de Cláudio Castro
Como O Brasilianista mostrou, o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, virou alvo da Operação Sem Refino, realizada nesta sexta-feira (15) pela Polícia Federal para investigar possíveis fraudes fiscais envolvendo o grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, durante sua gestão.
O político é acusado de acobertar um esquema longo de sonegação de impostos pelo grupo, controlado pelo empresário Ricardo Magro. A dívida total está estimada em R$ 26 bilhões. A investigação caminha ao lado da apuração do ADPF das Favelas, sobre violência policial durante incursões em favelas para combater o tráfico de drogas no estado.
Cláudio Castro ainda terá que explicar um possível envolvimento com o caso do Banco Master, após a nomeação de Deivis Marcon Antunes como presidente do Fundo Único de Previdência Social do Rio de Janeiro (Rioprevidência), que aportou R$ 970 milhões no Banco Master mesmo sendo alertado sobre os riscos do investimento pelo Tribunal de Contas do Estado Rio de Janeiro (TCE-RJ).
Vale lembrar que ele está inelegível desde março deste ano, condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, quando seu governo contratou dezenas de milhares de servidores sem transparência nem planejamento por meio da Fundação Ceperj e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

