Cláudio Castro divulgou nota oficial após ser alvo da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, e apresentou sua versão diante das suspeitas que atingem sua gestão. No comunicado, o ex-governador afirmou:
“Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes”.
A manifestação ocorreu após agentes federais cumprirem mandado de busca e apreensão em sua residência, no Rio de Janeiro, dentro de uma investigação sobre supostas fraudes fiscais, ocultação patrimonial e decisões administrativas que teriam favorecido o Grupo Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro.
Conforme já informado pelo O Brasilianista, a operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes incluiu 17 mandados de busca e apreensão, sete medidas de afastamento de funções públicas, bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos e suspensão de atividades econômicas das empresas investigadas. A Polícia Federal apura se o conglomerado utilizou sua estrutura para reduzir artificialmente tributos, ocultar patrimônio e movimentar recursos para fora do país.
A nota de Castro foi apresentada como resposta direta ao avanço das investigações e coloca no centro do debate sua atuação como chefe do Executivo fluminense.
O que a investigação aponta sobre a gestão?
Entre os principais pontos sob análise está a sanção da Lei Complementar 225/2025, mencionada pela Polícia Federal como mecanismo que teria criado condições favoráveis ao Grupo Refit na administração de débitos tributários bilionários.
De acordo com a investigação, a legislação abriu caminho para parcelamentos ligados a uma dívida de R$ 52 bilhões, dos quais R$ 49 bilhões estariam concentrados na antiga Refinaria de Manguinhos. Para os investigadores, decisões políticas e administrativas adotadas durante o governo estadual podem ter contribuído para a manutenção desse cenário.
A apuração também cita mudanças em cargos estratégicos, como a nomeação de Juliano Pasqual para a Secretaria de Fazenda, além de suspeitas de interferência na Procuradoria-Geral do Estado em temas relacionados ao funcionamento da refinaria.
Outro episódio citado envolve viagem oficial a Nova York, onde Castro participou de compromissos patrocinados pela Refit.
Crise política e avanço da operação
A nova frente de investigação amplia a pressão sobre Castro meses após sua saída do governo para disputar o Senado e depois de sua inelegibilidade ser definida pelo Tribunal Superior Eleitoral em processo ligado às eleições de 2022.
O Brasilianista também explicou que a a Polícia Federal sustenta que houve uso de instrumentos legais, administrativos e políticos para beneficiar interesses empresariais específicos, hipótese contestada publicamente pelo ex-governador por meio de sua nota.
A operação também alcançou setores técnicos e financeiros ligados à estrutura estadual e empresarial, ampliando o alcance das apurações para além do núcleo político. Investigadores analisam documentos, movimentações fiscais e conexões administrativas que possam esclarecer como decisões governamentais e mecanismos corporativos se cruzaram ao longo dos últimos anos.
Esse mapeamento inclui contratos, pareceres internos, registros de órgãos fazendários e relações institucionais que podem ajudar a detalhar o funcionamento da engrenagem sob investigação e o papel de diferentes agentes públicos e privados.

