O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dará posse na próxima sexta-feira (22) a Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve, o banco central americano. A cerimônia será realizada na Casa Branca e marca a troca de comando da instituição após um período de tensão entre Trump e o atual chair do Fed, Jerome Powell.
De acordo com informações da imprensa americana citando uma autoridade da Casa Branca, a posse ocorre poucos dias depois de o Senado americano aprovar o nome de Warsh por 54 votos a 45. A indicação foi tratada como uma mudança importante na relação entre o governo e o Federal Reserve, que nos últimos anos acumulou divergências públicas sobre juros e política monetária.
Trump vinha criticando Powell de forma frequente desde o primeiro mandato. O presidente defendia cortes mais rápidos nas taxas de juros para estimular a economia americana, enquanto o Fed mantinha uma postura mais cautelosa diante da inflação. Em diferentes ocasiões, Trump chegou a afirmar que os juros elevados prejudicavam o crescimento do país.
A troca no comando do banco central acontece em um momento delicado para a economia dos Estados Unidos. A inflação segue acima da meta oficial de 2%, enquanto investidores reduziram as expectativas de cortes nos juros ao longo dos próximos meses. Mesmo assim, Trump continua pressionando por uma política monetária mais flexível.
Quem é Kevin Warsh?
Conforme já explicado pelo O Brasilianista, Kevin Warsh nasceu em Albany, no estado de Nova York, em 1970. Formado em políticas públicas pela Universidade Stanford, com foco em economia e estatística, ele também cursou direito em Harvard, onde direcionou os estudos para legislação econômica e regulação financeira.
Antes de chegar ao setor público, Warsh trabalhou no banco Morgan Stanley, atuando principalmente na área de fusões e aquisições. Ao longo desse período, participou de operações no mercado de capitais, incluindo financiamentos e emissões de ações e dívida para empresas de diferentes setores.
A passagem dele pelo governo começou em 2002, durante a administração de George W. Bush. Na época, ocupou funções ligadas ao Conselho Econômico Nacional da Casa Branca. Alguns anos depois, em 2006, foi indicado pelo próprio Bush para integrar o Conselho de Governadores do Federal Reserve.
Sua atuação no Fed coincidiu com a crise financeira internacional de 2007 a 2009. Durante aquele período, Warsh participou das discussões sobre medidas emergenciais adotadas pelo banco central americano para enfrentar o colapso do sistema financeiro.
Além do trabalho interno no Federal Reserve, ele também representou os Estados Unidos em reuniões do G-20 relacionadas à economia global e aos mercados financeiros.
Relação próxima com Trump e mudança no Fed
A relação de Warsh com aliados próximos de Trump foi considerada um fator importante para sua aprovação no Senado. O economista possui ligação familiar com Ronald Lauder, empresário conhecido por sua proximidade com grupos políticos ligados ao presidente americano.
Warsh também tem posições diferentes das defendidas por Jerome Powell em relação aos juros. O novo chair do Fed é visto por integrantes do governo como alguém mais favorável à redução das taxas para incentivar a atividade econômica.
Apesar da mudança na presidência do banco central, Powell continuará fazendo parte do conselho do Federal Reserve. Isso significa que ele ainda participará das decisões sobre política monetária nos Estados Unidos.
O Federal Reserve é responsável por definir a política de juros do país, controlar a inflação, supervisionar bancos e atuar para manter a estabilidade do sistema financeiro americano. As decisões tomadas pelo Fed têm impacto direto não apenas na economia dos Estados Unidos, mas também nos mercados internacionais.

