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Política

“Não fiquem assustados”, disse Lula a empresários sobre o fim da escala 6×1

O presidente reiterou que a proposta vai considerar as particularidades de cada setor econômico

“Não fiquem assustados”, disse Lula a empresários sobre o fim da escala 6×1

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a empresários nesta terça-feira (19) para não “ficarem assustados” com o fim da escala de trabalho 6×1, indicando que é uma “coisa necessária”.

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As falas aconteceram no discurso de abertura de um evento internacional da indústria da construção civil, em São Paulo.

“Não fiquem assustados. A escala 6×1 é uma coisa necessária, porque hoje o povo quer mais tempo pra ficar em casa, pra lazer, pra estudar, pra namorar. É normal que a sociedade tenha avançado muito, com os avanços tecnológicos”, disse.

Sobre a tecnologia, o presidente ainda comentou que, em breve, será possível utilizar robôs para diversas atividades e que essas máquinas não exigiriam direitos como aumento de salário, ou fazer greve. “Mas enquanto tiver trabalhador, a gente precisa respeitá-los”, reiterou.

Além disso, Lula afirmou que “ninguém vai impor na marra” as mudanças de redução de jornada de trabalho e que os setores da economia devem ser consultados.

“Nós sabemos, a jornada de trabalho vai ser alterada levando em conta a realidade de cada categoria, de cada profissão, de cada setor econômico, pra que as coisas resultem no benefício que queremos resultar, e trazer mais benefício pra sociedade brasileira”, continuou.

Como funcionará o fim da escala 6×1?

A proposta de fim da escala 6×1 está no centro do debate do Congresso Nacional em 2026. O projeto visa diminuir a jornada atual de 44 horas semanais dos trabalhadores brasileiros, que prestam serviços durante seis dias da semana com apenas um dia de folga.

A medida já é debatida na Câmara dos Deputados e sua votação está prevista para o fim de maio.

Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o tema deve seguir para a votação com a redução de jornada de 44 horas semanais para 40 horas semanais — ou seja, dois dias de descanso, sem redução de salário.

Para isso, o texto da PEC será uma convergência em linha com o PL enviado pelo Executivo para complementar o texto de fim da escala 6×1.

Inicialmente, a Câmara lidava com três propostas diferentes da redução da jornada de trabalho no país. Na PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a redução seria gradual de 44 para 36 horas semanais de trabalho ao longo de dez anos. Já a PEC 8/25, enviada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), buscava uma jornada de quatro dias de trabalho por semana, limitada a 36 horas, e com início imediato.

A proposta enviada pelo governo é a mais próxima com a que Motta afirmou que a Câmara deve seguir, em que reduz a jornada semanal para 40 horas, sem diminuição salarial e com adoção da escala 5×2 gradualmente.

Há expectativa de que a pauta seja votada no plenário da Casa até o dia 27 de maio, na próxima semana, mas é improvável que a medida entre em vigor antes das eleições.

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