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Entrevistas

Como surgiram as escalas de trabalho e por que elas se tornaram um padrão no mercado

Na avaliação da especialista, qualquer discussão sobre mudanças na jornada precisa considerar as diferenças entre os setores da economia

Como surgiram as escalas de trabalho e por que elas se tornaram um padrão no mercado

As diferentes escalas de trabalho utilizadas atualmente são resultado de uma evolução histórica das relações trabalhistas e da necessidade de equilibrar a proteção aos trabalhadores com o funcionamento das atividades econômicas. Segundo a advogada trabalhista, Elisa Alonso, os modelos de jornada não surgiram de uma só vez, mas foram sendo construídos ao longo do tempo conforme as mudanças no mercado de trabalho.

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Durante o período da industrialização, era comum que trabalhadores enfrentassem jornadas excessivas, sem limites claros de horas trabalhadas e com poucas garantias de descanso. Esse cenário levou ao surgimento das primeiras normas internacionais voltadas à proteção do trabalhador.

Um dos marcos dessa mudança ocorreu em 1919, quando a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabeleceu, para o setor industrial, a jornada de oito horas diárias e 48 horas semanais. O modelo influenciou diversas legislações ao redor do mundo e serviu de referência para a organização das jornadas de trabalho nas décadas seguintes.

No Brasil, a principal mudança ocorreu com a Constituição Federal de 1988, que reduziu a jornada semanal de 48 para 44 horas, mantendo o limite de oito horas por dia. A Constituição também passou a permitir mecanismos de compensação de jornada, abrindo espaço para diferentes formas de organização do trabalho.

De acordo com Elisa Alonso, foi a partir desse cenário que as escalas passaram a se consolidar conforme as necessidades de cada segmento da economia. A escala 5×2 tornou-se predominante nas atividades administrativas, concentrando o expediente entre segunda e sexta-feira. Já a escala 6×1 ganhou espaço em setores que precisam funcionar praticamente todos os dias da semana, como comércio, supermercados, restaurantes, hoteis e parte da indústria.

Outro modelo que se consolidou foi a jornada 12×36, desenvolvida para atividades que exigem funcionamento ininterrupto, como hospitais, serviços de emergência, vigilância e segurança. Segundo a especialista, esse formato permite manter o atendimento contínuo com menos trocas de equipe e melhor organização dos plantões.

Para Elisa Alonso, o estabelecimento de diferentes escalas não ocorreu por acaso, mas como resposta às características específicas de cada atividade econômica. Enquanto alguns setores conseguem interromper suas operações diariamente, outros precisam manter funcionamento durante a noite, fins de semana e feriados para atender à população ou evitar prejuízos operacionais.

A advogada ressalta que, apesar das mudanças no mercado de trabalho e do avanço da tecnologia, muitas dessas escalas continuam adequadas às necessidades de determinados segmentos. O debate atual, segundo ela, não está necessariamente na substituição de um modelo por outro, mas na atualização das regras para contemplar novas formas de trabalho, como o trabalho remoto, as plataformas digitais e as atividades organizadas por metas ou projetos.

Na avaliação da especialista, qualquer discussão sobre mudanças na jornada precisa considerar as diferenças entre os setores da economia. Em algumas atividades, uma eventual redução da carga horária pode ser absorvida com reorganização interna. Em outras, poderá exigir novas contratações, ampliação de turnos, reajuste de preços ou até redução do período de funcionamento.

Assim, a origem das escalas de trabalho está diretamente ligada à tentativa de conciliar produtividade, continuidade dos serviços e proteção ao trabalhador. Embora os modelos tenham sido consolidados ao longo do século XX, a evolução das relações de trabalho continua impulsionando discussões sobre possíveis adaptações para atender às novas realidades do mercado.

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