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Geopolítica

Guerra no Oriente Médio: Trump já pode ser declarado perdedor, independentemente do resultado

Pesquisa Reuters/Ipsos mostra queda da aprovação do presidente para 35%

Guerra no Oriente Médio: Trump já pode ser declarado perdedor, independentemente do resultado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu nesta terça-feira (19) um novo desgaste político após o Senado norte-americano aprovar o avanço de uma resolução que pode limitar os poderes da Casa Branca na guerra contra o Irã.

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A votação terminou em 50 a 47 e contou com apoio de quatro senadores republicanos, ampliando a pressão interna contra a condução militar do conflito pelo governo americano.

A medida discutida no Congresso obriga Trump a encerrar as operações militares contra o Irã ou buscar autorização formal do Legislativo para manter os ataques.

O avanço do texto ocorreu após meses de bloqueio republicano e marcou a oitava tentativa de parlamentares de restringir os poderes de guerra do presidente desde o início da ofensiva militar.

Segundo a Reuters/Ipsos, a aprovação de Trump caiu para 35%, próximo do pior nível registrado desde seu retorno à Casa Branca.

O levantamento também mostrou aumento da rejeição dentro do próprio eleitorado republicano, principalmente após a escalada militar no Oriente Médio e a alta dos combustíveis nos Estados Unidos.

Casa Branca passou a enfrentar reação no Capitólio

O avanço da resolução no Senado aumentou a pressão sobre Trump porque parte dos parlamentares passou a questionar a legalidade das operações militares conduzidas sem autorização formal do Congresso.

De acordo com o Artigo I da Constituição americana, declarações de guerra precisam ser aprovadas pelo Legislativo.

O debate ganhou força após a Casa Branca ampliar ataques ao Irã sem consultar previamente deputados e senadores.

Trump alegou que os bombardeios eram necessários por causa do histórico iraniano de envolvimento em ataques no Oriente Médio, da falta de avanço nas negociações diplomáticas e da suposta ameaça representada pelo programa nuclear do país.

O presidente também afirmou que Teerã vinha retomando atividades nucleares e ampliando sua capacidade militar.

A Casa Branca argumentou que Trump poderia autorizar os ataques sem consultar previamente o Congresso por exercer a função constitucional de comandante-em-chefe das Forças Armadas dos Estados Unidos.

O governo alegou que as operações tinham caráter emergencial e preventivo diante de ameaças iranianas, justificativa semelhante à utilizada anteriormente em ações militares relacionadas à Venezuela e ao combate ao narcotráfico na América Latina.

Parlamentares democratas e parte dos republicanos passaram a contestar a medida porque o Artigo I da Constituição americana determina que declarações de guerra precisam ser aprovadas pelo Legislativo.

Para opositores da Casa Branca, bombardeios prolongados e ofensivas militares externas configuram atos de guerra.

Popularidade caiu conforme guerra avançou

O desgaste político da guerra começou a aparecer nas pesquisas poucas semanas após o início dos ataques americanos ao Irã, em fevereiro deste ano.

Os levantamentos da Reuters/Ipsos mostram que a deterioração política acelerou conforme a guerra avançou. Trump iniciou o novo mandato com cerca de 47% de aprovação em janeiro de 2025.

Após o início da ofensiva contra o Irã, os índices passaram a cair de forma contínua: 42% em março, 40% em abril, 36% no começo de maio e agora 35%, próximo do pior patamar do atual governo.

A desaprovação ultrapassou os 60% nas últimas semanas. O desgaste aumentou principalmente após a alta dos combustíveis e do custo de vida provocada pelas tensões no Oriente Médio e pela crise no Estreito de Ormuz.

Atualmente, 21% dos republicanos desaprovam Trump, índice muito acima dos 5% registrados no início do governo. Entre os independentes, dois terços rejeitam a condução da guerra.

Maior exército do planeta não elimina riscos políticos

Os Estados Unidos continuam sendo a maior potência militar do mundo em capacidade bélica, tecnologia, orçamento e presença global.

O país mantém a liderança em investimentos militares desde o fim da Segunda Guerra Mundial, possui presença estratégica em diferentes continentes e concentra uma das maiores estruturas nucleares e industriais do planeta.

Além do tamanho das Forças Armadas, os EUA contam com bases militares espalhadas pelo mundo, liderança tecnológica em armamentos, capacidade naval global e alianças estratégicas como a OTAN.

A posição geográfica protegida por dois oceanos também sempre foi considerada um diferencial histórico da segurança americana.

Mesmo assim, o histórico militar dos Estados Unidos mostra que superioridade bélica não impede desgaste político nem derrotas estratégicas em guerras prolongadas.

O país saiu do Vietnã após anos de pressão interna, alto custo econômico e fracasso em impedir a unificação comunista do território.

No Afeganistão, os americanos permaneceram por duas décadas no conflito iniciado após os atentados de 11 de setembro.

Apesar da superioridade militar, o Talibã retomou o poder após a retirada das tropas ocidentais, encerrando uma das guerras mais longas da história dos Estados Unidos.

Pórem a votação desta terça-feira não representa uma derrota militar dos Estados Unidos no conflito contra o Irã, mas abriu um novo capítulo de desgaste político para Trump como liderança eleitoral e candidato republicano.

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