Donald Trump voltou ao centro de uma nova crise política nos Estados Unidos após o deputado republicano Thomas Massie sofrer uma derrota considerada histórica dentro do próprio Partido Republicano. O episódio aconteceu no mesmo momento em que a Casa Branca passou a enfrentar pressão crescente no Senado americano por causa das operações militares contra o Irã.
Reportagem da Bloomberg mostrou que aliados de Trump investiram cerca de US$ 33 milhões na tentativa de derrotar Massie, parlamentar do Kentucky que vinha criticando decisões recentes do presidente americano. O valor transformou a disputa na prévia legislativa mais cara da história dos Estados Unidos.
Massie vinha se tornando uma das principais vozes de resistência dentro do partido ao questionar promessas abandonadas por Trump, principalmente relacionadas ao fim do envolvimento americano em guerras, à economia e à divulgação de arquivos ligados ao caso Jeffrey Epstein.
Durante a campanha, Trump fez ataques públicos contra o deputado republicano em redes sociais e eventos oficiais. O presidente chegou a chamá-lo de “idiota” durante o National Prayer Breakfast e enviou o secretário de Defesa, Pete Hegseth, para atuar politicamente contra o congressista.
A disputa interna passou a ser vista por analistas políticos americanos como um recado direto aos republicanos que ainda demonstram resistência à liderança de Trump dentro do partido.
Senado amplia desgaste da Casa Branca
Enquanto a disputa dentro do Partido Republicano dominava o cenário político, o governo americano sofreu outro revés em Washington. O Senado dos Estados Unidos aprovou o avanço de uma resolução que pode limitar os poderes militares de Trump no conflito contra o Irã.
De acordo com O Brasilianista, a votação terminou em 50 votos a 47 e contou com apoio de quatro senadores republicanos. O texto obriga a Casa Branca a interromper operações militares contra o Irã ou buscar autorização formal do Congresso para manter os ataques.
A discussão aumentou a pressão sobre o governo porque parlamentares passaram a questionar a legalidade das ofensivas militares realizadas sem aprovação legislativa.
O debate ganhou força após a ampliação dos bombardeios americanos no Oriente Médio. A Casa Branca argumenta que Trump possui autoridade constitucional para agir como comandante-em-chefe das Forças Armadas em situações consideradas emergenciais.
Mesmo assim, democratas e parte dos republicanos afirmam que ações militares prolongadas precisam de autorização formal do Congresso, conforme prevê a Constituição americana.
Queda de popularidade preocupa republicanos
O avanço da guerra contra o Irã também passou a atingir diretamente os índices de aprovação do presidente americano.
Levantamento da Reuters/Ipsos mostrou que Trump caiu para 35% de aprovação, um dos piores números desde o retorno à Casa Branca. A rejeição cresceu principalmente após a alta dos combustíveis e do custo de vida nos Estados Unidos em meio às tensões no Oriente Médio.
Os dados apontam ainda aumento da insatisfação entre eleitores republicanos. Atualmente, 21% dos integrantes do partido desaprovam o governo, índice superior ao registrado no início do mandato.
A situação política se agravou porque parte dos parlamentares republicanos passou a demonstrar preocupação com o impacto eleitoral da guerra e da deterioração econômica.
No caso de Thomas Massie, o deputado vinha utilizando justamente esse cenário para criticar a condução política de Trump. Em discursos recentes, ele afirmou que o Congresso americano estaria perdendo autonomia diante da influência do presidente sobre o Partido Republicano.
“Se o Poder Legislativo sempre votar com o presidente, então nós temos um rei”, disse Massie durante discurso para apoiadores. “Se o Poder Legislativo sempre votar conforme o vento sopra, então teremos o governo das multidões. Mas se o Poder Legislativo, os representantes e os senadores seguirem sempre a Constituição, então teremos uma república.”
Mesmo derrotado politicamente dentro do partido, Massie indicou que continuará confrontando Trump nos próximos meses. Durante um encontro com apoiadores, o deputado afirmou que a disputa deixou de ser apenas eleitoral.
“Começou como uma eleição e se transformou em um movimento”, declarou o republicano enquanto apoiadores gritavam “2028”.

