O senador Ciro Nogueira (PP-PI) alega ser “vítima de ataque em ano eleitoral” em meio às investigações da Operação Compliance Zero. Porém, recentes revelações sobre o recebimento de valores milionários de uma empresa ligada à Refit podem incluir o senador na investigação da Operação Sem Refino.
Uma reportagem do Estadão confirmou que a investigação da Polícia Federal sobre um esquema de sonegação e corrupção da Refit detectou pagamento de R$ 14,2 milhões de um fundo ligado ao grupo à empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. O documento teria sido assinado pelo irmão de Ciro, Raimundo Neto Nogueira.
Raimundo também foi alvo da Operação Compliance e está impedido de falar com o irmão. Ciro indicou que a transação da Refit à empresa em seu nome é referente a um terreno para construção de uma distribuidora de combustíveis, de forma regular e declarada às autoridades.
Em relação ao envolvimento de Ciro com o banco Master, o despacho enviado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirma que o ele estava relacionado com o ex-dono do grupo financeiro, Daniel Vorcaro, e era bancado por ele em troca de apoio ao Banco Master em Brasília.
Nogueira recebeu mesada de Vorcaro pelo menos desde 2021. O valor começou em R$ 300 mil, mas aumentou para R$ 500 mil em 2023. Sua defesa alega que as afirmações são falsas, sustentadas sob mensagens de terceiros e não provas concretas.
Já o irmão do senador também é investigado, sob a acusação de atuar como “agente de sustentação formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao núcleo familiar de Ciro Nogueira”.
Como Ciro pode estar envolvido na Operação Sem Refino?
A Polícia Federal (PF) deflagrou na última sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, realizando mandados de busca e apreensão em diversas cidades, tendo como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, o empresário Ricardo Magro, além de outros nomes.
O objetivo central é investigar possíveis fraudes fiscais envolvendo o grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, durante a gestão de Castro.
O ex-governador é acusado de acobertar um esquema longo de sonegação de impostos pelo grupo, controlado pelo empresário Ricardo Magro. A dívida total está estimada em R$ 26 bilhões.
O Brasilianista mostrou como o esquema criminoso era liderado por Magro, dono do grupo Refit, e transformou o governo do Rio de Janeiro numa “extensão da estrutura empresarial” que comandava para encurralar a concorrência enquanto garantia benefícios por meio de relações criminosas com autoridades públicas.
A nova informação de que um fundo ligado à Refit teria feito transação milionária para uma empresa ligada a Ciro Nogueira, mesmo que assinada por seu irmão, pode colocá-lo no centro das investigações das duas operações da PF. Esse seria um impacto relevante dentro de seu partido, bem como para o senador Flávio Bolsonaro, que é abertamente aliado de Ciro.
O pré-candidato ao Planalto já sofre consequências políticas do vazamento de mensagens e documentos que comprovam negociações milionárias com Vorcaro para financiar um filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

