Publicidade
Política

O bolsonarismo perdeu forças diante do caso de Flávio Bolsonaro?

Especialista explica como o movimento passa a ser visto após a polêmica

O bolsonarismo perdeu forças diante do caso de Flávio Bolsonaro?

Diante do cenário eleitoral atual, depois da recente polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, os pré-candidatos à Presidência da República ficam ainda mais atentos para os desdobramentos do caso e as pesquisar eleitorais que mostram as intenções de voto da população.

Publicidade

Diante disso, ao mesmo tempo que outros políticos acreditam em um fortalecimento de seus nomes faltando menos de cinco meses para as eleições, surge uma narrativa onde o bolsonarismo tenha perdido suas forças por conta das investigações que acontecem com Flávio Bolsonaro.

Bolsonarismo como conceito e genética

Para explicar esse cenário e todas suas resoluções, O Brasilianista entrevistou Luiz Renato Ribeiro Ferreira, sociólogo, mestre em Ciência Política e especialista em Gestão e Avaliação de Políticas Públicas pela Universidad de Deusto na Espanha. Quando perguntado sobre um possível enfraquecimento, o especialista citou as categorias pela qual o bolsonarismo foi sendo representado com o passar do tempo.

“Em um passado recente o bolsonarismo foi tratado como uma espécie de categoria política ou categoria de pensamento, que superava o sobrenome da família e se apresentava quase como um Conceito, uma corrente política própria. Entretanto, os últimos movimentos e decisões do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfraqueceram o ‘conceito’ e fortaleceram a ‘genética’, ou seja, aquilo que se apresentava como uma ideia, um conceito, demonstrou ser mais um projeto de poder familiar”, explicou.

Para completar, o sociólogo ainda falou que os âmbitos pelos quais esse caso mais afeta ou enfraquece dentro da política brasileira, voltando a citar a família no geral e a união em torno de Flávio Bolsonaro que, na visão de Luiz Renato, se fragiliza com o passar dos meses.

“Nesse sentido, tanto a vitória quanto a derrota devem afetar muito mais o núcleo de poder familiar e menos a direita como um todo. Portanto, o caso Flávio Bolsonaro enfraquece muito mais a família, do que a direita, como uma categoria política, uma vez que já é bastante notável a fratura do bolsonarismo, ainda tímida é verdade, mas que deve se expandir já nos próximos meses, uma vez que a união em torno de Flávio parece frágil”, disse o cientista político.

Flávio Bolsonaro, o bolsonarismo e o Centrão

Em relação ao perfil ideológico de Flávio ser mais visto para um lado conservador e à direita representado por Jair Bolsonaro, mas com uma atuação mais pragmática e alinhada ao Centrão, o sociólogo explica sobre as estratégias adotadas pelo primogênito do ex-presidente.

“Flávio Bolsonaro é a cópia do pai, embora com um verniz de mais educação e postura. Ele tem se esforçado em se apresentar como menos radical, pois precisa dos votos dos independentes e daqueles que se reconhecem de direita, mas não são bolsonaristas. Trata-se muito mais de uma estratégia eleitoral do que uma verdade em si”, afirma.

Para efeito de comparação, Luiz Renato ainda coloca esse cenário como se fosse uma indústria automobilística, deixando claro as atuações feitas por Flávio durante sua vida junto as ideologias impostas por seu pai.

“A atuação de Flávio em sua vida política foi dedicada ao tema da segurança pública e a questões mais caras ao conservadorismo. Na indústria automobilística os projetos dos carros têm uma vida útil e por isso existem os lançamentos de segunda geração e terceira geração. Flávio é de segunda geração: mais moderno, com design melhor, mas continua sendo o mesmo carro”, completa.

A dependência do bolsonarismo

Ainda alinhado ao tema, Luiz Renato fala sobre o bolsonarismo e se ainda existe uma dependência de Jair Bolsonaro ou se já é uma força política capaz de manter uma influência no Legislativo e nas disputas nacionais, independente do candidato que estiver o representando.

“Está bastante claro que o bolsonarismo ainda depende de Jair Bolsonaro. Porém, em um futuro breve, teremos novas figuras importantes da direita, que eventualmente poderão romper com a família para seguir sua vida própria. Fiquem de olho em Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Otoni de Paula”, disse o cientista político.

Acompanhe O Brasilianista