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Política

Minas Gerais ainda é estado-chave nas eleições presidenciais?

Estado reúne diversidade econômica, social e regional que costuma refletir o comportamento do eleitorado brasileiro

Minas Gerais ainda é estado-chave nas eleições presidenciais?

Mais do que o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, Minas Gerais consolidou, ao longo das últimas décadas, a reputação de ser um dos estados mais estratégicos para quem disputa a Presidência da República.

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O peso dos seus quase 17 milhões de eleitores, aliado à diversidade econômica, social e regional, faz com que o desempenho dos candidatos em território mineiro seja acompanhado de perto por partidos e analistas políticos a cada eleição.

Para a doutoranda em Direito Penal, professora da FAMINAS e advogada Thais Otoni, a importância de Minas vai além da quantidade de votos.

“Minas Gerais é estratégico, principalmente, pelo seu tamanho eleitoral e por seu histórico. Em 2022, Minas tinha cerca de 16 milhões de eleitores, o que significa o segundo maior colégio eleitoral do país, ficando atrás somente de São Paulo”, afirma.

A especialista lembra que, desde a retomada das eleições diretas para presidente, em 1989, o vencedor em Minas também acabou eleito nacionalmente.

“Em 2022, Lula ganhou com 50,20% dos votos em Minas, contra 49,80% de Jair Bolsonaro. É uma diferença inferior a 50 mil votos, mas que também levou o presidenciável Lula à cadeira da Presidência”, destaca.

Apesar desse retrospecto, Thais Otoni pondera que o estado não define sozinho o resultado das eleições.

“A relação é mais um termômetro do que uma causa. Quem consegue construir a maioria entre os diferentes grupos mineiros geralmente conseguiu formar uma coalizão eleitoral suficientemente ampla para vencer no Brasil”, explica.

Diversidade regional explica protagonismo mineiro

Além do peso eleitoral, Minas Gerais também chama atenção pela diversidade de perfis econômicos e sociais concentrados em um único estado.

Com 853 municípios, o maior número entre todas as unidades da Federação, o território reúne regiões com características muito diferentes entre si, reproduzindo, em escala estadual, boa parte das realidades encontradas no Brasil.

“Dentro do mesmo estado podemos dividi-lo em diferentes regiões. O Norte e o Vale do Jequitinhonha possuem características econômicas e sociais próximas ao Nordeste. O Sul de Minas e o Triângulo Mineiro são mais integrados à dinâmica de São Paulo e do Centro-Oeste. A Zona da Mata mantém ligação histórica com o Rio de Janeiro e a Região Metropolitana de Belo Horizonte é urbana, industrial e voltada aos serviços”, explica Thais Otoni.

Na avaliação da professora, essa pluralidade também aparece nas urnas.

“Regiões mais pobres do Norte e do Nordeste mineiro apresentam maior votação na esquerda, enquanto o Sul e o Triângulo Mineiro tendem a favorecer candidatos de direita ou de centro-direita. Já a Região Metropolitana e as cidades médias vivem disputas bastante equilibradas entre esses dois polos. Por isso, Minas abriga vários Brasis: o urbano, o rico, o pobre, o industrial, o agrícola, o conservador e o progressista”, ressalta.

Essa combinação de perfis faz com que campanhas presidenciais precisem construir estratégias diferentes para dialogar com públicos bastante distintos dentro do mesmo estado.

Em vez de concentrar esforços em um único segmento do eleitorado, candidatos costumam adaptar discursos e propostas às diferentes realidades econômicas e sociais presentes nas regiões mineiras.

Economia diversificada amplia a importância do estado

O protagonismo político de Minas Gerais também está diretamente ligado ao peso da sua economia. O estado reúne uma das maiores participações no Produto Interno Bruto (PIB) nacional e concentra atividades que vão da mineração e da indústria ao agronegócio e ao setor de serviços, obrigando candidatos à Presidência a dialogarem com diferentes segmentos da sociedade durante a campanha.

“Minas é uma das maiores economias estaduais e o PIB ultrapassa, ou bate ali, cerca de 9,6% da economia brasileira. Essa estrutura diversificada faz com que a campanha presidencial precise dialogar simultaneamente com todos esses espectros”, afirma Thais Otoni.

Segundo a especialista, essa realidade exige que os candidatos apresentem propostas capazes de alcançar públicos bastante distintos.

“A campanha precisa conversar com trabalhadores e servidores públicos, empresários do setor industrial, mineradoras e municípios dependentes da atividade mineral, produtores rurais e o agronegócio, agricultores familiares e também eleitores de regiões mais dependentes de políticas sociais”, explica.

Na avaliação da professora, é justamente essa capacidade de reunir diferentes interesses econômicos e sociais que diferencia Minas de outros estados brasileiros.

“Esse protagonismo mineiro não vem apenas da quantidade de votos. Minas funciona como um teste da capacidade de conciliação de uma candidatura. Um candidato excessivamente identificado apenas com uma região, uma classe social ou um setor econômico pode encontrar dificuldades para construir maioria no estado”, destaca.

Minas continuará como termômetro da disputa em 2026?

Embora o cenário eleitoral ainda esteja em consolidação, a avaliação é de que Minas Gerais continuará exercendo papel relevante na corrida ao Palácio do Planalto, especialmente se a disputa permanecer equilibrada.

“Estamos em agosto de 2026 e os sinais apontam que Minas continua sendo central, mas a expressão ‘fiel da balança’ deve ser usada com alguma cautela. As pesquisas recentes demonstram um acirramento das disputas. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema têm protagonismo e dependem desse apoio a ser construído diretamente em Minas Gerais”, afirma Thais Otoni.

A especialista ressalta que fatores como a polarização política, mudanças demográficas e o desempenho de candidaturas regionais podem alterar o peso histórico do estado no resultado nacional.

“O padrão histórico pode mudar porque o país está mais polarizado territorialmente. São Paulo e estados do Nordeste podem produzir vantagens suficientes para reduzir esse efeito mineiro. Além disso, as abstenções, as mudanças demográficas e candidaturas regionais podem modificar a distribuição dos votos”, explica.

Mesmo diante dessas mudanças, a professora acredita que Minas continuará sendo um dos principais indicadores do cenário eleitoral brasileiro.

“Minas, provavelmente, continuará sendo um dos principais termômetros para a eleição de 2026, pelo tamanho do eleitorado e por sua diversidade. Mas o histórico não é uma lei eleitoral. O estado será decisivo principalmente se a eleição nacional permanecer apertada, e os levantamentos atuais indicam justamente esse tipo de disputa”, conclui.

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