A crise causada pelas investigações dos Banco Master tem amendrotado desde caciques até curumins da política em todo o país. Porém, em público, esses mesmos amedrontados criticam adversários pela proximidade com Daniel Vorcaro e normalizam a ligação de aliados com o banqueiro.
O PT tem aproveitado bastante a divulgação dos áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro, para financiar Dark Horse, e de documentos da produção do filme que comprovam pagamentos do banqueiro. Principalmente nas redes sociais, políticos do partido têm divulgado memes, informações e críticas ao conteúdo das conversas.
Porém, ninguém no PT fala abertamente da reunião fora da agenda entre Vorcaro e Lula, para tratar da crise do Master. Na ocasião, o presidente da República, teria dito que questões bancárias devem ser tratadas com o Banco Central (BC) e com Gabriel Galípolo.
Comportamento similar é adotado no PL sobre o pedido de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. Em entrevista à GloboNews, Valdemar Costa Neto, presidente do partido, classificou como “normal” o pedido e a relação. As informações sabidas até agora sobre os encontros de Lula e Flávio com Vorcaro não trazem qualquer implicação de crime.
Mas é fato que o presidente da República deveria ter divulgado o encontro com o banqueiro em sua agenda, que Flávio deveria ter admitido que pediu dinheiro a Vorcaro logo que o caso foi dvulgado e que ambos não deveriam tratar com uma pessoa que hoje é acusada de ter uma milícia privada e de fraudar o sistema bancário — pois as suspeitas sobre o Master vêm de longa data.
Correndo por fora nesse cenário, assim como na corrida eleitoral, está Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais (MG) que criticou tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro por conta do Banco Master. Agora, Zema também está sendo criticado por ter alterado o limite de endividamento do funcionalismo público mineiro pouco antes de o Master passar a oferecer empréstimo consignado no estado.
O crédito consignado era cedido pelo banco via o Credcesta, cartão de benefícios criado por Augusto Lima, ex-CEO do Master. O modelo também é usado em diversos estados, como a Bahia e o Rio de Janeiro, onde há fortes indícios de corrupção relacionada ao banco de Vorcaro — situação que ainda não foi percebida no caso de Zema, em MG.

