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Política

“O que há no Brasil hoje é uma radicalização”, diz Temer sobre situação política brasileira

Ex-presidente afirmou que a democracia brasileira está consolidada e defendeu disputas eleitorais baseadas em projetos

“O que há no Brasil hoje é uma radicalização”, diz Temer sobre situação política brasileira

O ex-presidente da República Michel Temer (MDB) afirmou nesta segunda-feira (25), durante entrevista ao programa Giro Baiana, da Baiana FM, que não acredita em apoio popular a um retorno do regime militar no Brasil e defendeu a redução da radicalização política no país.

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A declaração ocorreu em meio ao debate sobre o crescimento do bolsonarismo e a disputa antecipada pela sucessão presidencial de 2026.

Temer participou da entrevista conduzida por Zé Eduardo e comentou temas ligados à governabilidade, à relação entre os Poderes, ao ambiente político nacional e às movimentações partidárias para as eleições do próximo ano.

Declarações sobre democracia marcaram entrevista

Ao responder perguntas sobre o avanço do bolsonarismo no país, Temer afirmou que identifica resistência social à possibilidade de uma ruptura institucional. O ex-presidente também declarou que os acontecimentos recentes reforçaram a estabilidade democrática brasileira.

“Por mais simpatia que ele tenha pelo chamado militarismo, etc, mas eu não creio que haja essa consciência de que a assunção do poder pelos militares é importante”, afirmou Temer.

Na sequência, o emedebista citou os desdobramentos das investigações relacionadas aos atos antidemocráticos e disse que as instituições reagiram de forma coordenada diante das tentativas de ruptura.

“Também vejo que a democracia está muito bem consolidada no nosso país. Você veja, se houve tentativa de golpe, ele foi não só paralisado por medidas de natureza política administrativa, mas paralisado judicialmente”, declarou.

Temer também defendeu que as eleições brasileiras passem a ser organizadas em torno de programas de governo e não apenas da força pessoal dos candidatos. Segundo ele, o ambiente político atual estimula disputas individualizadas.

“O ideal dos ideais seria que houvesse disputa de projetos. Fulano tem o projeto tal, beltrano tem o projeto qual, outro tem o projeto X, e o eleitor examina o projeto”, disse.

Ex-presidente diferencia polarização e radicalização

Michel Temer afirmou que a polarização política pode existir em democracias, desde que esteja ligada a diferenças programáticas. O ex-presidente, porém, afirmou que o cenário brasileiro atual ultrapassou esse limite.

“O que há no Brasil não é apenas uma polarização, é uma radicalização, porque cada um ficou de um lado”, declarou.

Segundo Temer, a divisão política ampliou conflitos entre setores da sociedade e passou a atingir instituições públicas. O ex-presidente afirmou que esse ambiente prejudica o funcionamento político do país.

“Essa divisão entre brasileiros, entre instituições, entre corporações, não é útil para o país”, afirmou.

Ao comentar o cenário eleitoral, Temer voltou a defender a necessidade de pacificação política. O ex-presidente afirmou que a própria Constituição estabelece a convivência democrática como princípio central do sistema político brasileiro.

“Vocês vão agir, vão discutir eleições, vão discutir projetos, programas, ideias, mas não vão radicalizar posições”, disse.

Temer disse que a disputa política nacional passou a ser marcada mais pela rejeição entre grupos do que pela apresentação de propostas concretas. Segundo ele, isso altera o debate público e enfraquece o ambiente institucional.

“Hoje, em face dessa radicalização, é nome contra nome, o que não é útil para o país”, declarou.

Debate teve reações de aliados da direita

As declarações do ex-presidente geraram reação imediata no estúdio. Durante o programa, o ex-ministro João Roma discordou da caracterização de que o bolsonarismo defenderia um regime militar ou uma ruptura institucional.

“Eu concordo com as afirmações do ex-presidente Temer, mas não concordo com as suas afirmações dizendo que o bolsonarismo defende o regime militar”, afirmou Roma durante o debate.

Na sequência, o ex-ministro também declarou que nunca ouviu o ex-presidente Jair Bolsonaro defender golpe de Estado. O debate ocorreu após questionamentos sobre o papel político do bolsonarismo e sua influência no eleitorado.

Temer, por outro lado, evitou associar diretamente Bolsonaro a movimentos golpistas e concentrou as respostas no funcionamento institucional do país e na estabilidade democrática observada após os episódios de tensão política.

Movimentações eleitorais entraram na conversa

A entrevista também abordou o cenário pré-eleitoral para 2026 e a reorganização dos partidos políticos após o avanço da polarização entre PT e PL.

O emedebista continua sendo citado em pesquisas eleitorais e mantém influência em articulações partidárias nacionais, especialmente dentro do MDB.

Durante a conversa, Temer também relembrou o período em que assumiu a Presidência da República após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e comentou os desafios de governabilidade enfrentados naquele momento.

O ex-presidente afirmou ainda que acompanha com preocupação o aumento das tensões políticas no país e voltou a defender um ambiente institucional baseado em diálogo entre diferentes correntes políticas.

“Eu prego sempre a pacificação”, declarou Temer ao encerrar o debate sobre radicalização política no Brasil.

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