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Economia

Governo Lula quer fomentar a economia, mas se esqueceu dos endividados

Focado na reeleição, o presidente deixou a contenção fiscal em segundo plano

Governo Lula quer fomentar a economia, mas se esqueceu dos endividados

A equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca cada vez mais, em vista às eleições de 2026, estimular a economia a todo custo — inclusive o endividamento dos brasileiros.

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Como mostrou O Brasilianista, o governo já anunciou R$ 140 bilhões em incentivos durante o ano eleitoral de 2026 — o que representa 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Fontes próximas à equipe de Lula indicaram à Bloomberg que a contenção fiscal ficou em segundo plano e as principais discussões se concentram quase exclusivamente em como impulsionar o crescimento, aumentar a renda e melhorar sua posição junto aos eleitores.

Dessa forma, o governo está implementando medidas tão rapidamente que a economia está ganhando impulso, apesar de apresentar algumas das taxas de juros mais altas do mundo, ajustadas pela inflação. Atualmente a Selic está em 14,5% ao ano, uma das taxas mais altas da série histórica.

A percepção é de que Lula está empenhado em impulsionar o crescimento e melhorar suas chances de reeleição, mesmo que isso prejudique a campanha do Banco Central para conter os preços e aumente o endividamento do Brasil.

PIB acelerado, juros altos

Especialistas entrevistados pela Bloomberg indicaram que a recuperação do PIB brasileiro em meio a uma política monetária extremamente restritiva é “impressionante”.

O PIB provavelmente subiu 1% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, e os primeiros dados apontam para um ganho de 0,9% no segundo trimestre, de acordo com o modelo nowcast da Bloomberg Economics.

No entanto, a estimativa para o segundo trimestre ainda pode mudar à medida que dados mais recentes se tornem disponíveis.

O que o governo Lula faz é: aplica estímulos que promovem o consumo, como o Move Brasil e benefícios aos produtores de combustíveis, o que acelera a economia. Ao mesmo tempo, os altos juros de empréstimos endividam boa parte dos brasileiros com os créditos liberados.

Em conjunto, as medidas sancionadas por Lula deverão adicionar até 1,4 ponto percentual ao PIB este ano, enquanto analistas do banco central preveem uma expansão da economia de 1,9% em 2026.

Combate ao endividamento

O maior dilema é o endividamento. A percepção de que o aumento de crédito fomente a economia pode minar os projetos do próprio governo para reduzir a inadimplência recorde que o Brasil vem registrando. Esse também pode ser um dos fatores mais agravantes de sua campanha eleitoral ao Planalto novamente.

Essa preocupação foi levantada em uma reunião de coordenação, mas não convenceu o grupo em geral, de acordo com um funcionário com conhecimento do assunto à Bloomberg. O argumento vencedor foi que os programas de crédito melhorariam a imagem do presidente perante os eleitores.

A aprovação do governo Lula também vem caindo, mostrando que não somente um aquecimento da economia pode garantir sua popularidade. Ainda assim, outras medidas como aumento de impostos às bets e programas como o Desenrola Brasil podem ajudá-lo a manter certo apelo dos eleitores.

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