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Política

Flávio Bolsonaro tenta mudar o foco da crise com agenda internacional

Por trás dos holofotes da viagem oficial aos Estados Unidos, o senador fluminense articula narrativa de segurança pública

Um frita, o outro serve

A viagem do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ganhou contornos de estratégia política de sobrevivência nesta semana. Em coletiva de imprensa realizada em solo americano, o parlamentar revelou ter pedido formalmente ao presidente Donald Trump a classificação das facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Segundo Flávio, o líder republicano prometeu analisar a demanda, que também incluiria a inserção do Brasil no “Escudo das Américas”, uma coalizão focada no combate ao crime organizado e na contenção de interferências externas na América Latina.

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No entanto, a agenda internacional é vista menos como um movimento diplomático e mais como um movimento tático bem delineado. O objetivo central seria desviar o foco da agenda negativa que passou a sufocar sua campanha nas últimas semanas.

Fator Daniel Vorcaro

A necessidade de criar um fato político de grande repercussão tornou-se urgente após a divulgação de relatórios que ligam a proximidade do senador ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O impacto do episódio foi imediato e mensurável, refletindo-se diretamente no humor do eleitorado.

De acordo com os dados mais recentes do instituto Datafolha, a associação com o banqueiro cobrou um preço alto à candidatura de Flávio Bolsonaro. As simulações de primeiro turno acenderam o sinal de alerta no comitê de campanha.

Diplomacia

A viagem a Washington foi inteiramente articulada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mantém canais abertos e consolidados com a ala mais ideológica do governo Trump. Além do debate sobre segurança pública, tarifas comerciais e terras raras, a comitiva brasileira buscou capitalizar simbolismos para alimentar a base aliada nas redes sociais.

Flávio relatou que Trump questionou sobre a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que foi classificado pelo senador como um “gesto humano”. Para selar o encontro e dar materialidade à narrativa de prestígio internacional, o parlamentar foi presenteado com uma challenge coin, moeda militar comemorativa tradicionalmente usada no ambiente político e de defesa americano.

Resta saber se a estratégia de transpor o debate eleitoral para a segurança global será suficiente para estancar a sangria de votos no cenário doméstico ou se o peso das investigações econômicas continuará a ditar o ritmo da disputa presidencial.