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Economia

Existe um modelo de escala de trabalho “perfeito” para o Brasil?

Especialistas comparam cenários de outros países com o Brasil

Existe um modelo de escala de trabalho “perfeito” para o Brasil?

Conforme noticiado anteriormente pelo O Brasilianista, a Câmara dos Deputados está em uma semana decisiva, tendo em vista a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em relação ao fim da escala 6×1 até quinta-feira (28). Ao mesmo tempo que os trabalhadores comemoram, os empresários se preocupam com a manutenção de suas operações, principalmente nos casos dos pequenos negócios.

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De início, a Câmara “tinha na mesa” três propostas diferentes relacionadas a redução da jornada de trabalho no país, pela qual atualmente é equivalente a 44 horas semanais para os que trabalham no regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Nas últimas semanas, Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Casa, anunciou que a PEC deve seguir para votação com uma redução para 40 horas semanais da jornada de trabalho, enviada pelo Planalto. Diante disso, o objetivo é garantir ao menos dois dias de folga para os trabalhadores, sem que ocorra uma redução de salário.

A escala de trabalho “perfeita”

Em entrevista exclusiva para O Brasilianista, Filipe Eduardo Martins Guedes, especialista em Economia, coordenador dos cursos de Gestão da FAPI – Centro Universitário de Pinhais, quando perguntado sobre a existência de uma escala de trabalho perfeita para o país, respondeu de forma positiva, mas que isso não se encaixa de forma exata e única para todos os setores, tendo que tratar o assunto em blocos.

“Modelos como 5×2 (Presente no Reino Unido) ou 4 dias de trabalho por semana (Presente na Islândia) mostram que é possível manter produtividade com menos horas, desde que haja gestão eficiente e uma cultura organizacional bem desenhada. No Brasil, porém, a informalidade e a baixa produtividade média dificultam replicar esses modelos sem ajustes”, disse o economista.

Exemplos de lugares que tendem a ter uma dinâmica diferente são os setores de logística, indústria, escritório, comércio, saúde e hospitalidade. O equilíbrio de uma escala de trabalho é encontrada a partir da combinação da transição gradual, teto de jornada menor e uma maior flexibilidade de arranjo do que uma solução única que seja “desenhada no grito”, como destaca o economista Tiago Velloso.

Dificuldades para os setores

Ainda de acordo com O Brasilianista, com o possível fim da escala 6×1, alguns setores terão dificuldades e acabarão sendo, de certa forma, mais prejudicados durante a transição. Em entrevista exclusiva, o economista Pedro Fernandes falou sobre os comércios menores e nas dificuldades enfrentadas com a mudança.

“Setores de serviços e comércio como bares, restaurantes, shoppings, oficinas são os mais prejudicados, principalmente os de menor porte, que, por definição, têm menor capacidade de caixa para acomodar a mudança da regra. Os poucos estudos disponíveis sobre a mudança de escala concordam que ela implica em elevação do custo de mão de obra. Acredito que em todos os setores, as grandes empresas conseguem se adaptar, mas as pequenas podem perder eficiência e acabar perdendo mais espaço no mercado”, afirma.

Além disso, o especialista também respondeu se as empresas brasileiras estão preparadas financeiramente para a implementação dessa mudança. O especialista reiterou o caso das pequenas empresas nesse caso. “Um resultado provável é maior concentração de mercado, e menor crescimento das pequenas empresas após o fim da escala 6×1”, afirma.

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