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Economia

Os riscos reais de demissões com o fim da escala 6×1

Empresários podem encontrar no corte de funcionários uma maneira de não entrar no prejuízo

Os riscos reais de demissões com o fim da escala 6×1

A Câmara dos Deputados vota nesta semana a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 para trabalhadores brasileiros. A proposta é uma tentativa de diminuir a jornada de trabalho de atuais 44 horas para 40 horas semanais, com descanso de pelo menos dois dias para todos os brasileiros.

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Entre os empresários, a sensação é de que a conta não fecha. E, para muitos setores, isso é uma realidade. Especialistas revelam que as consequências de uma provável implementação dessas medidas serão empresários pressionados por margens maiores e funcionários sob risco de informalidade ou subemprego.

Além disso, uma possibilidade considerada real por muitos negócios, especialmente os pequenos, é demitir funcionários. Isso porque não acreditam que será sustentável manter a mesma quantidade de colaboradores por menos dias, sem alterar o salário.

Em linhas gerais, se o lucro e a produtividade não aumentarem, seria apenas um prejuízo para esses empresários. E esse cenário gera riscos para a economia e também para os trabalhadores brasileiros, que sentem maior insegurança.

Fim da escala 6×1 pode gerar demissões em massa?

Com potencial de aumentar os custos, diversos empresários pensam em possíveis demissões para equilibrar as contas. Para Filipe Eduardo Martins Guedes, especialista em Economia, coordenador dos cursos de Gestão da FAPI – Centro Universitário de Pinhais, especialmente setores de baixa margem e alta dependência de mão de obra — como varejo, restaurantes e logística — podem desencadear um evento de demissões em massa.

“Empresas podem optar por acelerar a automatização de alguns processos ou de fato proporcionar uma redução de quadro para compensar. O risco maior recai sobre pequenas e médias empresas, que não têm fôlego financeiro para absorver custos adicionais”, comentou para esta matéria de O Brasilianista.

No entanto, não há como afirmar, no presente momento, que demissões em massa serão a reação direta ao novo modelo de trabalho.

“Há estudos com sinais diferentes, o Ipea diz que não há relação mecânica entre reduzir jornada e destruir emprego e lembra que choques relevantes de custo do trabalho, como alguns reajustes do salário mínimo, não derrubaram automaticamente o nível de emprego. Já a literatura acadêmica também aponta que parte das empresas reage com reorganização interna, racionalização e até substituição por máquina, o que reduz o efeito positivo automático sobre contratação. Não há base séria para cravar demissão em massa como regra geral, mas há risco setorial de ajuste maior onde a folha pesa muito e a margem é curta”, disse o economista Tiago Velloso para a mesma matéria.

Demitir não será a única solução

Para os economistas, a produtividade dos negócios não depende somente de horas trabalhadas, mas de gestão, tecnologia, educação e até mesmo composição setorial. Se não houver investimento, o impacto será negativo.

“A comparação internacional costuma ser mal feita porque países desenvolvidos não são mais produtivos porque trabalham menos, eles conseguem trabalhar menos porque cada hora vale mais. E isso vem de educação, capital, tecnologia e organização”, informa Velloso.

Entre as saídas que os empresários estão discutindo estão:

  • investir em tecnologia para aumentar produtividade
  • revisar modelos de escala (ex.: 4×3 ou turnos alternados)
  • aumentar ticket médio via diferenciação de produto/serviço
  • reorganizar processos internos para reduzir desperdícios

Ajustar escala, rever processos, melhorar ocupação do tempo, reduzir ociosidade, investir em tecnologia e gestão e, quando possível, flexibilizar jornada com negociação coletiva são algumas das possibilidades que os empresários podem ter para não se prejudicarem, ao invés de somente demitir funcionários.

“O empresário que olhar só para ‘cortar gente’ pode até aliviar o curto prazo, mas pode piorar serviço, operação e receita. O ponto deve ser ganhar eficiência. Não necessariamente ‘produzir mais quantidade’, mas fazer a hora trabalhada valer mais“, explicou Velloso.

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