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Política

6×1 avança com apoio do centro e governo já de olho no Senado

O movimento mais decisivo da rodada, contudo, partiu do coração do bloco moderado

6×1 avança com apoio do centro e governo já de olho no Senado

O que começou como uma demanda popular nas redes sociais converteu-se, com velocidade incomum para o rito legislativo. O governo federal capturou a urgência do momento e optou por não perder tempo celebrando uma vitória parcial. A declaração do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, sinalizando a abertura imediata de pontes com o Senado Federal, revela uma estratégia de blindagem.

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Ao projetar o avanço no Plenário da Câmara e acenar para a “sensibilidade” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o Executivo tenta amarrar o apoio das duas Casas antes que o fôlego da pressão popular diminua, transformando a pauta em um dividendo social robusto para a base governista.

O centro

O movimento mais decisivo da rodada, contudo, partiu do coração do bloco moderado. A adesão formal da Federação União-Progressistas (PP e União Brasil) à escala 5×2 não foi um gesto de pura benevolência social, mas um cálculo político refinado. Historicamente alinhados aos interesses do empresariado e do setor produtivo, os partidos do Centro entenderam que a manutenção do modelo atual tornou-se indefensável perante a opinião pública. A saída foi envelopar a mudança com um discurso focado no fortalecimento da estrutura familiar e, crucialmente, em uma contrapartida econômica.

O posicionamento do deputado Dr. Luizinho ao condicionar o apoio à reestruturação das tabelas do MEI e do Simples Nacional (PLP 108/21) é o ponto de virada da análise. O Centro só aceitou flexibilizar a jornada porque encontrou uma forma de suavizar o impacto no micro e pequeno empresário, que concentram o maior volume de mão de obra nessa escala. Ao acenar com alívio fiscal para as empresas de menor porte, a Federação neutralizou as resistências do varejo e de serviços de bairro, pavimentando o caminho para uma aprovação sem sobressaltos.

Relator

No tabuleiro de Plenário, o relator Leo Prates se vê na posição de equilibrar os pratos e evitar os extremos. A ofensiva do PL, que pretende apresentar um destaque para forçar a votação da escala 4×3 (quatro dias de trabalho por três de descanso), é vista nos bastidores menos como uma defesa real da medida e mais como uma armadilha política. Ao empurrar a proposta para uma meta considerada irreal pelo mercado financeiro e pela indústria, a oposição radical poderia implodir o texto por inviabilidade econômica ou esticar a corda ao ponto de travar a tramitação.

A resposta de Prates foi cirúrgica ao fechar as portas para novas negociações e cravar que o foco absoluto deve ser a aprovação da jornada 5×2. Ao alertar que não há margem para alterar os prazos e as regras de transição agora, o relator age como o fiador do equilíbrio econômico da proposta.