O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, decidiu abandonar a disputa ao Senado em 2026 em meio ao avanço das investigações que atingem sua gestão e aliados políticos. Mesmo fora da corrida eleitoral, ele acertou com o PL o recebimento de um salário bruto de R$ 38 mil pago com recursos do Fundo Partidário, modelo semelhante ao já adotado pelo partido com o vereador licenciado Carlos Bolsonaro. O acordo foi fechado diretamente com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto.
A remuneração ocorre em um momento de aumento da pressão política e jurídica sobre Castro. O ex-governador foi alvo de duas operações da Polícia Federal em maio, ambas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. Uma delas investiga relações com o Grupo Refit, enquanto a outra mira aplicações bilionárias do Rioprevidência ligadas ao Banco Master.
Nos bastidores do PL, dirigentes passaram a avaliar que a permanência de Castro na disputa eleitoral poderia ampliar o desgaste do partido no Rio de Janeiro. O ex-governador fazia parte da estratégia política da legenda ao lado do senador Flávio Bolsonaro, mas a crise envolvendo o Caso Master alterou o cenário interno da sigla.
Investigações ampliaram pressão sobre ex-governador
Conforme já explicado pelo O Brasilianista, a nova etapa da Operação Compliance Zero apura possíveis irregularidades em investimentos do Rioprevidência que somam mais de R$ 2,5 bilhões entre aplicações diretas e fundos ligados ao Banco Master. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça e cumpriu mandados no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
Dias antes, Castro já havia sido alvo da Operação Sem Refino, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A investigação apura suspeitas de ocultação patrimonial, benefícios fiscais e movimentações financeiras ligadas ao grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
Durante as ações da PF, agentes apreenderam cinco celulares utilizados por Castro em diferentes períodos de sua trajetória política. Parte dos aparelhos foi encontrada em uma cobertura na Barra da Tijuca ligada a uma empresa do ex-secretário estadual Mauro Farias. Os investigadores também recolheram um computador e um iPad.
As apurações analisam ainda possíveis conexões entre decisões do governo estadual e vantagens concedidas ao conglomerado empresarial investigado. A Polícia Federal também investiga mudanças em áreas estratégicas da administração estadual e relações entre integrantes do governo e empresários do setor de combustíveis.
Movimentações financeiras entraram no radar
Além das investigações, Castro realizou mudanças recentes em seu patrimônio e na estrutura profissional após deixar o governo. O ex-governador abriu uma sociedade individual de advocacia no Centro do Rio de Janeiro e pretende atuar em causas cíveis. Até agora, porém, não há registro de emissão de notas fiscais pelo escritório.
Ele também vendeu um imóvel declarado anteriormente à Justiça Eleitoral e buscou o reconhecimento do direito ao recebimento de R$ 142 mil referentes a férias não usufruídas durante o período em que comandou o estado.
A defesa do ex-governador deve concentrar argumentos em despesas pessoais e familiares, incluindo aluguel, condomínio, mensalidades escolares e custos do escritório de advocacia. Castro nega irregularidades e afirma que todas as decisões tomadas durante sua gestão seguiram critérios legais e técnicos.
Crise atingiu aliados do PL e entorno bolsonarista
Ainda de acordo com O Brasilianista, o avanço das investigações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro provocou preocupação dentro do PL e atingiu aliados próximos do grupo bolsonarista. A Polícia Federal passou a analisar viagens, encontros e movimentações financeiras envolvendo políticos e empresários ligados ao caso.
O senador Ciro Nogueira também apareceu nas apurações após movimentações financeiras relacionadas a uma empresa ligada à sua família. O parlamentar afirma que todas as operações ocorreram de forma regular e declarada.
Outro ponto que elevou a tensão política foi a contratação do criminalista José Luís Oliveira Lima pela defesa de Daniel Vorcaro. Nos bastidores de Brasília, lideranças passaram a tratar com cautela possíveis desdobramentos das investigações e eventuais vazamentos de informações.
Sobre o assunto, o cientista político Murillo de Aragão comentou o cenário em entrevista à CNN Brasil: “É impossível, na minha opinião, que a gente tenha ou uma delação que derrube tudo, ou uma situação que derrube a República, ou uma grande pizza”.
Ele também declarou: “É impossível alguém controlar, ou mesmo algumas das lideranças, controlar o destino das investigações e dos acontecimentos”.
Atualmente, o governo do Rio de Janeiro está sob comando interino do desembargador Ricardo Couto, enquanto o STF discute o formato da escolha para o mandato tampão no Executivo estadual.

