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Economia

Quanto é preciso guardar para se aposentar hoje no Brasil?

Desconsiderar a inflação no planejamento previdenciário no Brasil é um dos principais erros dos trabalhadores

Quanto é preciso guardar para se aposentar hoje no Brasil?

A aposentadoria é hoje um dos maiores desafios dos brasileiros. Para muitos trabalhadores, a sensação de que há um longo tempo até conseguirem se aposentar gera diversas dúvidas sobre o quanto é necessário para conseguir manter a qualidade de vida após sair do mercado de trabalho.

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Em exclusiva ao O Brasilianista, Antônio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar, explica que não há valor certo para juntar ao longo da vida para conseguir se aposentar. Isso porque esse número vai depender de alguns fatores como:

  • Tempo (quando se começa a poupar)
  • Inflação ao longo do tempo
  • Estilo de vida desejado

“Primeiro, é de se esperar que a pessoa queira ao menos manter o mesmo estilo de vida que tem hoje ao se aposentar. Com ‘estilo de vida’, eu me refiro a nível de despesas. Esse valor inclui moradia, alimentação, transporte, lazer e, inclusive, eventuais ajudas a outros familiares. Descobrindo quanto de despesas necessito cobrir mensalmente ao me aposentar, posso calcular quanto de patrimônio preciso acumular até certa idade para então viver apenas dos rendimentos desse patrimônio”, elucida Maciel.

Para ele, desconsiderar a inflação no planejamento previdenciário no Brasil é um grande erro. Mas, com tantas variações ao longo do tempo, ele explica que o segredo é projetar as despesas e o patrimônio alvo em valores reais, ou seja, sem inflação.

Assim, ao se fazer o planejamento dos investimentos, deve-se buscar investimentos que superem a inflação.

Por fim, o fator tempo funciona da seguinte maneira: quanto mais tempo poupando, menos será necessário guardar mensalmente para atingir o objetivo.

Por exemplo, alguém com 30 anos de idade, que queira se aposentar aos 65 anos e tem despesas mensais de R$ 5.000, com o objetivo de manter esse estilo de vida na aposentadoria. O especialista explica que caso os produtos de investimento permitam remunerar IPCA + 5% (inflação somada de 5% de juros), por exemplo, o patrimônio que seria preciso acumular é de R$ 1,2 milhão.

Vale destacar que que 5% desse valor corresponde a R$ 60 mil/ano, ou seja, R$ 5 mil/mês. Para chegar a esse valor, o investimento necessário seria de R$ 1.100, aproximadamente.

“Note que esses valores são sem inflação, ou seja, os depósitos devem ser atualizados pela inflação e a renda futura também será atualizada pela inflação, não importando qual seja seu índice no futuro, uma vez que uma carteira de investimentos que garanta a rentabilidade acima do IPCA irá corrigir esses valores com segurança”, afirma o planejador financeiro.

Além disso, ele ressalta a necessidade de rever o planejamento periodicamente, a cada um ou dois anos, para saber se o montante já acumulado, o estilo de vida alvo e o retorno dos investimentos estão em linha com o objetivo traçado ou se será preciso recalibrar a rota.

Começar o quanto antes é o ideal

Quanto antes começar a planejar a aposentadoria, melhor, porque será possível acumular um patrimônio maior, ou guardar pouco mês a mês para atingir o objetivo pretendido.

“Para se ter uma ideia, atualmente é possível iniciar até mesmo ao nascer. Os planos de previdência privada, PGBL ou VGBL, podem ser feitos pelos pais do recém-nascido, que, ao completar 18 anos, pode utilizar os valores ou mesmo continuar a poupança para a aposentadoria”, indica o planejador.

O INSS ainda vale a pena?

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é o órgão que garante aos trabalhadores brasileiros o sistema de Previdência Social do país.

Com contribuições mensais que podem ser retiradas diretamente do salário, ou realizadas manualmente pelo trabalhador, a partir de um número exato de contribuições e de idade, é possível solicitar o pagamento da aposentadoria e sair oficialmente do mercado de trabalho.

Segundo o planejador, esse ainda é um sistema muito seguro e relevante para aqueles que visam receber até dois salários-mínimos.

No entanto, como um investimento de previdência, para aqueles que não são segurados obrigatórios, Maciel avalia não ser interessante contribuir para receber mais de dois salários mínimos.

Ainda assim, quem contribui de forma voluntária tem como vantagens a garantia dessa remuneração mínima, mas também a cobertura nos casos de acidente, seguro doença, invalidez e licença maternidade.

“Destaco também outro ponto importante que é o investimento em PGBL, a previdência privada, para fins de benefício fiscal no imposto de renda. Para se utilizar do benefício, o investidor obrigatoriamente precisar ser contribuinte do INSS”, comenta.

A vantagem da Previdência Privada

Em relação a outros investimentos, as opções de previdência privada trazem uma vantagem específica que é a possibilidade de acumulação a longo prazo, com a cobrança de imposto de renda apenas no momento do resgate e a uma alíquota reduzida que, a depender da escolha, pode chegar a 10%.

“Isso faz diferença no Brasil, com histórico de juros altos e quando consideramos o efeito dos juros compostos”, afirma Maciel, da Planejar.

Os principais planos de previdência privada são o VGBL e o PGBL. Este último possui um benefício fiscal. Investimentos de até 12% da renda bruta do contribuinte, na base anual, são dedutíveis na sua declaração do imposto de renda. Assim, ele deixa de pagar imposto naquele ano, evitando a tributação de até 27,5% desses valores investidos naquele momento, e esses valores, somados ao rendimento, somente serão tributados no futuro, em uma alíquota que pode chegar a 10%.

Em comparação com outros investimentos, os impostos cobrados recorrentemente e a impossibilidade de planejar o longo prazo impedem um bom planejamento previdenciário.

Pensando em uma combinação entre previdência social e privada, o planejador destaca que que o trabalhador precisa estar atento para não reduzir ainda mais sua renda no futuro, procurando não se endividar.

Criar uma própria poupança, ainda que seja pouco a pouco, pode ser interessante para que, ao chegar o
momento de deixar de trabalhar, tenha menos preocupações.

“Essa própria poupança pode ser a prestação de uma casa própria, pode ser investir em um curso que permita ter um emprego melhor, enfim, formas que busquem atingir o objetivo de uma aposentadoria sem maiores preocupações, sem dívidas, sem aluguel para pagar, com alguma reserva financeira. Tudo parte de um bom planejamento financeiro para se iniciar hoje, não amanhã, quando aumentar a renda. Qualquer um pode ser protagonista de seu futuro”, finaliza.

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