Apesar da negativa da Polícia Federal em relação à delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia 20 de maio, o documento traz novos detalhes sobre o vínculo entre o banqueiro e a família de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Reportagem do O Globo apontou um pagamento de R$ 50 milhões endereçados ao escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, em agosto de 2025. O valor alto seria justificado pela rápida previsão de venda do Master, a fim de garantir que todo o montante fosse recebido (RS 130 milhões).
Contudo, no registro não constava assinatura dela. A delação apresentada por Vorcaro, porém, não esclarece o motivo da dívida com o escritório de Viviane. Vale destacar que com a liquidação do Banco no fim do ano passado, os valores não foram repassados.
O escritório se pronunciou em nota diante das especulações: “[O Barci de Moraes] não concretizou nenhum outro contrato com Daniel Vorcaro ou qualquer de suas empresas, não tendo prestado serviços advocatícios nem tampouco recebido qualquer valor em honorários”.
PF recusa delação de Vorcaro
Como mencionado anteriormente, no fim de maio, a PF recusou a delação de Vorcaro justificando a decisão por julgar insuficiente as informações entregues pelo banqueiro sobre o esquema investigado na Operação Compliance Zero.
A Polícia entendeu que Vorcaro deixou de fora detalhes essenciais para as investigações, além de omitir informações para proteger alguns nomes envolvidos.
Em entrevista ao O Brasilianista, o criminalista Leandro Sarcedo, professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), explicou que as regras ficaram mais rígidas: “O colaborador não pode mentir, omitir ou esconder informações. Ele precisa trazer elementos concretos que acrescentem algo à investigação”.
Os nomes que eram esperados na delação de Vorcaro
Como divulgado nesta matéria de O Brasilianista, 23 pessoas poderiam ser citadas pelo banqueiro na delação. Entre eles, o próprio Alexandre de Moraes, ministro do STF e sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Ainda no STF, também era mencionada a participação de Dias Toffoli.
No setor financeiro: Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília); Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master; André Esteves, banqueiro, ligado ao BTG Pactual.
Além dele, também eram esperadas figuras importantes da capital do Brasil: Ibaneis Rocha, ex-governador do DF; Celina Leão, governadora em exercício; e figuras da política nacional, como Michel Temer, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Ciro Nogueira e Ratinho Jr. A lista completa está nesta reportagem do O Brasilianista.
STF em cheque
Não é só Moraes que tem suspeitas de envolvimento com Master, que vem sendo apurado pela Operação Compliance Zero. Como já divulgado pelo O Brasilianista, o Supremo Tribunal Federal se encontra em maus lençóis, com outros nomes em cheque, como Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.
A relação de Toffoli se dá por meio da Maridt Participações, e as negociações para participação no empreendimento hoteleiro. Já Nunes Marques esteve presente em viagens aéreas por meio de empresas vinculadas ao Master.

