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Geopolítica

Direita x Esquerda: como está o mapa ideológico da América do Sul atualmente?

Crescimento conservador em parte da região convive com permanência de governos progressistas em países estratégicos

Direita x Esquerda: como está o mapa ideológico da América do Sul atualmente?

Em meio a mudanças de governo, crises econômicas e eleições cada vez mais polarizadas, a América do Sul atravessa um novo período de divisão política entre direita e esquerda. O cenário aparece de forma mais evidente no Peru, onde a disputa presidencial entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez expôs novamente o avanço de correntes conservadoras em parte da região e a permanência de governos progressistas em países estratégicos.

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O momento político sul-americano mostra um continente dividido entre projetos diferentes de poder. Enquanto países como Argentina, Chile e Paraguai caminham sob influência conservadora, governos ligados à esquerda seguem fortes em nações como Brasil, Colômbia e Uruguai.

O Peru chega ao processo eleitoral após anos marcados por crises institucionais, trocas de presidentes e conflitos constantes entre Congresso e Executivo. A eleição também ganhou peso regional porque o país ocupa posição estratégica no Pacífico e mantém relações econômicas importantes com Brasil, Estados Unidos e China.

Keiko Fujimori aparece ligada ao fujimorismo, corrente política associada ao ex-presidente Alberto Fujimori. Já Roberto Sánchez representa um campo político próximo ao ex-presidente Pedro Castillo, destituído após tentar dissolver o Parlamento.

A definição do novo governo peruano pode ampliar a presença conservadora na América do Sul ou devolver mais um país ao grupo de governos progressistas.

Países conservadores avançam na região

Nos últimos anos, parte da América do Sul registrou crescimento de candidaturas ligadas à direita e à centro-direita. O movimento alterou o cenário político regional e mudou o posicionamento de governos importantes. Na Argentina, Javier Milei se consolidou como principal nome conservador do continente ao defender redução do tamanho do Estado, cortes de gastos públicos e aproximação com grupos liberais internacionais.

A Bolívia também passou por mudança política recente. A eleição de Rodrigo Paz encerrou um longo período de domínio da esquerda ligada ao MAS, partido que comandou o país por vários anos. No Chile, José Antonio Kast assumiu protagonismo após o governo de Gabriel Boric e levou o país para uma linha mais conservadora. O Equador segue sob liderança de Daniel Noboa, que mantém agenda liberal voltada para segurança pública e combate ao narcotráfico.

O Paraguai continua sob predominância conservadora com Santiago Peña. Já o Peru ainda decidirá no segundo turno se mantém um caminho mais alinhado à direita ou se retorna ao campo progressista.

Esquerda mantém presença em países estratégicos

Mesmo com o crescimento conservador em parte da região, governos ligados à esquerda continuam ocupando espaço relevante no continente. O Brasil permanece sob comando de Luiz Inácio Lula da Silva, principal liderança da centro-esquerda sul-americana e figura de peso nas articulações diplomáticas regionais.

Na Colômbia, Gustavo Petro lidera a primeira experiência claramente associada à esquerda na história recente do país. Contudo, vale lembrar que a região está em período de eleição, com a esquerda enfrentando a extrema-direita no segundo turno, dia 21 de junho. O Uruguai segue com Yamandú Orsi, mantendo a linha política iniciada pela Frente Ampla.

Guiana e Suriname também continuam alinhados ao campo progressista, com Irfaan Ali e Jennifer Simons. A Venezuela permanece ligada ao chavismo em meio a críticas internacionais e instabilidade política, atualmente com Delcy Rodríguez exercendo funções executivas interinas.

A divisão atual mostra um continente sem hegemonia política clara. Diferentemente de outros períodos históricos, a América do Sul hoje apresenta forças políticas distribuídas de forma mais equilibrada entre direita e esquerda.

Brasil entra em ano eleitoral sob influência regional

O cenário político dos países vizinhos também pode influenciar diretamente a disputa presidencial brasileira. O debate regional passou a girar em torno de temas como inflação, segurança pública, custo de vida e relações internacionais. Atualmente, a polarização brasileira concentra as atenções em torno de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Dependendo do levantamento eleitoral e do instituto de pesquisa, os dois aparecem reunindo a maior parte das intenções de voto.

Conforme já explicado pelo O Brasilianista, especialistas apontam que as eleições sul-americanas atuais deixaram de discutir apenas crescimento econômico e passaram a envolver temas ligados à sensação de estabilidade e ordem institucional.

Questões internacionais também passaram a impactar o ambiente político regional. A recente tensão envolvendo o Irã elevou preocupações relacionadas ao preço dos combustíveis, inflação e aumento no custo dos alimentos, fatores que costumam afetar diretamente a popularidade dos governos.

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