Publicidade
Economia

Acordo bilionário assinado pela Raízen prevê venda de operações na Argentina

O lucro da parceria firmada será investido na gestão de estrutura de capital

Em meio à recuperação extrajudicial, Raízen registra prejuízo de mais de R$ 7 bilhões; saiba mais

A gigante de energia, Raízen, divulgou acordo com a Mercuria Energy Group para alienar suas operações downstream na Argentina. A parceria firmada foi estimada em US$ 1,42 bilhão para a companhia, que se encontra em recuperação extrajudicial.

Publicidade

O pagamento, de acordo com informações da Raízen, será efetuado após a conclusão do acordo. O negócio firmado entre as empresas também compreende a assunção das dívidas da Raízen Argentina S.A.U pela Latam Downstream Holdings Ltd. e a Silver Projects I ⁠S.A.U, sociedades da Mercuria. Desta maneira, o acordo mantido envolve ativos e participações societárias da companhia, relativos às operações do final da cadeia produtiva.

Conforme divulgado pela Raízen, o montante abarcado na negociação será utilizado na gestão da estrutura de capital da companhia. Em nota divulgada ao mercado, a empresa afirmou que a parceira está em alinhamento com a estratégia de otimização de portfólio de ativos, simplificação da estrutura operacional e alocação de capital. A estimativa para a conclusão do tratado firmado é para este ano-safra.

Recuperação extrajudicial

Uma das maiores empresas brasileiras, a Raízen entrou com processo de recuperação extrajudicial em março de 2026, para negociar os mais de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras. Segundo apurou O Brasilianista, a medida foi iniciada a partir do cenário de aumento de custos de capital, juros elevados e pressão para a geração de caixa.

Os credores da companhia passaram a defender medidas mais rígidas para o plano de recuperação extrajudicial. Entre os pontos levantados, o principal é a mudança na governança da empresa. Atualmente, a companhia é gerida pelo Grupo Cosan, fundado por Rubens Ometto.

Parceria entre Raízen e Federal Energia incomoda setor de combustíveis

Iniciada em 2024, a parceria entre a empresa Raízen e a Federal Energia têm gerado incômodos no setor de combustíveis. O acordo entre as companhias deixa outras empresas temerosas de que a sua atuação conjunta abaixe os preços cobrados, causando prejuízo aos seus negócios.

Conforme apurado pelo O Brasilianista, há três vertentes para o incômodo produzido. O primeiro são os mais de 125 milhões de litros de combustível vendidos, entre junho e outubro de 2024, da Federal Energia à Raízen e uma de suas subsidiárias, a Petróleo Sabba. O segundo ponto são os acordos de cessão de uso de espaço, nos quais a Federal Energia se beneficia das plantas de distribuição da Raízen no Ceará e no Pará. Os locais produzem, mensalmente, 6,8 mil m³ de diesel e gasolina.

O terceiro ponto, e mais comentado, são os R$ 980 milhões de créditos tributários sobre PIS e COFINS detidos pela Federal Energia. A decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) liberou os valores em janeiro de 2023.

Plano de reestruturação financeira

Na última quarta-feira (03), a Raízen divulgou o seu plano de reestruturação financeira, prevendo três opções de pagamentos aos seus credores. Segundo apurou O Brasilianista, parte da dívida de R$ 65 bilhões será coberta por investimento de R$ 3,5 bilhões da Shell, uma das sócias da companhia.

Para o plano A, os credores poderão contar com vencimento de 31 de março de 2033 e de 2035 para a Raízen Energia, e a Combustíveis cumpriria os vencimentos em 31 de março de 2032 e de 2034. Já o vencimento do plano B cai no dia 31 de março de 2047.

Acompanhe O Brasilianista nas redes sociais