O iFood se pronunciou nesta terça-feira (09 sobre o vazamento de dados de cerca de 2% da sua base, que ocorreu em 2025 e foi confirmado somente na última quarta-feira (03).
Apesar das informações liberadas não apresentarem vulnerabilidade aos usuários da plataforma, sejam eles consumidores, empresas ou entregadores, o impacto é relevante, visto que a companhia é uma das principais de delivery do Brasil e da América Latina.
Segundo a empresa, em dezembro de 2025, “terceiros não autorizados acessaram indevidamente um portal de uso restrito por meio de credenciais vinculadas a um órgão externo, comprometidas fora dos sistemas do iFood”.
O incidente foi detectado e “prontamente contido e remediado” ainda de acordo com a nota, com o reforço imediato das medidas de segurança e o bloqueio do acesso utilizado. O iFood também preservou os registros necessários à apuração do ocorrido e segue colaborando integralmente com a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Os dados acessados são de natureza cadastral. Não houve acesso a senhas, credenciais de acesso às contas, dados pessoais sensíveis ou dados de pagamento aptos à realização de transações.
“A avaliação realizada pela nossa equipe técnica não identificou risco de dano relevante aos titulares, considerando a natureza cadastral dos dados, a ausência de comprometimento de credenciais utilizáveis e os controles de segurança existentes. Com base nas análises realizadas até o momento, não há indicação de necessidade de alteração de senhas ou de adoção de medidas adicionais pelos usuários em decorrência do ocorrido”, continua a nota.
Apesar do abalo de leve na marca, a empresa se consolida cada vez mais como uma das empresas líderes de delivery no país.
O iFood é principal marca do portfólio da controladora
O Brasilianista mostrou que o iFood praticamente “sustenta” os ganhos da empresa holandesa Prosus, controladora da plataforma, bem como da Decolar, OLX e Sympla.
Apenas no primeiro semestre do ano, a receita do iFood subiu 35% comparado ao mesmo período do ano passado, acumulando um total de R$ 4,91 bilhões em faturamento conjunto entre delivery e novas iniciativas. O iFood também se mostra em uma constante crescente desde 2023.
Apenas nas entregas, a companhia garantiu um faturamento de R$ 1,7 bilhões em cada trimestre de 2026.
Entregadores do iFood recebem por rota
Os entregadores do iFood não trabalham sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A própria empresa destaca que as delimitações do CLT não cabem nas especificidades necessárias para os trabalhadores do iFood, que precisam de maior flexibilidade para realizar as entregas.
A companhia paga os trabalhadores com um valor mínimo de R$6,50 por rota e um valor mínimo médio de R$1,50 por km rodado. O valor pago por rota varia conforme diversos critérios, como a cidade onde o entregador atua, o tipo de entrega, a distância percorrida e o tempo de espera no restaurante.
Em 2024, foi introduzido um adicional nas rotas agrupadas, no valor mínimo de R$3,00 para cada entrega extra realizada.
Quando esse cálculo dá menos de R$ 6,50 ou R$ 1,50 por quilômetro rodado, o iFood completa a quantia para chegar a esses mínimos. Gorjetas são 100% repassadas para os entregadores. Os pagamentos são feitos semanalmente, no entanto, a empresa não especifica quanto do valor pago pelos usuários é repassado aos trabalhadores.

