O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tornou-se o primeiro integrante do governo Luiz Inácio Lula da Silva citado nas propostas de delação premiada apresentadas pelo empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O ministro foi mencionado em relatos encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF), nos quais Vorcaro afirma ter realizado repasses de caixa dois para a campanha de Silveira ao Senado em 2022.
Vorcaro relatou um suposto repasse de R$ 20 milhões, mas investigadores da PF e integrantes do Ministério Público consideraram as informações insuficientes por falta de detalhes sobre a origem dos recursos e eventuais contrapartidas.
Interlocutores próximos ao ministro negam a acusação e afirmam que Silveira sequer mantinha relação com o banqueiro no período citado.
A revelação ocorre mais de um ano após aliados importantes do governo terem demonstrado preocupação com a permanência de Silveira à frente do Ministério de Minas e Energia.
Alertas chegaram ao Palácio do Planalto
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o então presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, alertaram Lula, de forma reservada, sobre o que consideravam riscos políticos relacionados à permanência de Alexandre Silveira no comando da pasta.
O encontro teria ocorrido no Palácio do Planalto, no fim de 2024. Conforme O Bastidor, o recado também teria sido reforçado por integrantes da própria Esplanada dos Ministérios.
Na época, um dos fatores apontados era o desgaste político envolvendo decisões do Ministério de Minas e Energia, especialmente em temas relacionados ao setor elétrico.
Entre os episódios mencionados estava a operação envolvendo a Amazonas Energia e a Âmbar Energia, do grupo J&F, além das discussões sobre a antecipação da chamada Conta Covid, mecanismo criado durante a pandemia para socorrer distribuidoras de energia.
Quem é Alexandre Silveira
Natural de Belo Horizonte, Alexandre Silveira tem 52 anos e é delegado de polícia aposentado. Foi deputado federal por dois mandatos, secretário de Estado em Minas Gerais, suplente do ex-governador Antonio Anastasia no Senado e assumiu o mandato de senador em 2022.
Em janeiro de 2023, passou a comandar o Ministério de Minas e Energia no terceiro mandato do presidente Lula.
Em 2022, disputou a reeleição ao Senado por Minas Gerais com apoio do presidente e do então candidato ao governo mineiro Alexandre Kalil, mas acabou derrotado por Cleitinho.
Fora da disputa eleitoral
Mesmo sendo apontado nos bastidores como possível candidato ao Senado ou ao governo de Minas Gerais em 2026, Silveira afirmou recentemente que não pretende disputar qualquer cargo eletivo no próximo ano.
Em entrevista após evento em Belo Horizonte, o ministro disse que sua prioridade é permanecer no governo federal e auxiliar o presidente Lula.
“A minha posição é a de ajudar o presidente Lula onde for melhor pra ele. Tudo leva a crer que o presidente Lula quer que eu continue administrando essa pasta tão importante”, declarou.
A decisão reduz especulações sobre uma eventual saída antecipada do ministério para participar das eleições e reforça a estratégia de permanecer na equipe presidencial durante o período eleitoral.
Delação de Daniel Vorcaro
Como mostrou O Brasilianista, a nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República trouxe uma mudança significativa em relação ao senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Vorcaro deixou de tratar pagamentos, viagens e benefícios concedidos ao parlamentar como resultado de uma relação de amizade e passou a classificá-los como repasses destinados a defender interesses do Banco Master junto ao Congresso Nacional.
A reformulação ocorreu após a rejeição da primeira versão do acordo pelos investigadores, que consideraram insuficientes as informações apresentadas inicialmente.
A nova narrativa fortalece uma das principais linhas de apuração da Operação Compliance Zero, que investiga a relação do banqueiro com agentes públicos e políticos.
As investigações apontam que Vorcaro teria realizado pagamentos mensais a Ciro Nogueira desde 2021, com valores que teriam variado entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.
Na nova proposta, esses repasses deixam de ser apresentados como gestos pessoais e passam a ser descritos como pagamentos vinculados à obtenção de apoio político para pautas de interesse do Banco Master em Brasília, tema que segue sob análise da PF e da PGR.

