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O Master e a Conta Covid

O financiamento serviu para evitar a quebra de distribuidores de energia após o aumento da inadimplência, devido à política de isolamento que influenciou a economia

O Master e a Conta Covid

O Banco Master foi um dos principais responsáveis pelo lucro extra dos bancos com a antecipação do pagamento da Conta Covid, que foi um empréstimo concedido às distribuidoras de energia durante a pandemia.

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A Conta Covid foi um financiamento obtido junto aos bancos para garantir a saúde financeira das distrbuidoras de energia durante a Pandemia da Covid-19. Sem os empréstimos bancários, essas empresas poderiam quebrar com o aumento da inadimplência dos consumidores afetados pela política de isolamento imposta pelo Estado para reduzir a propagação do vírus SARS-CoV-2.

O interesse do Banco Master em ajudar na antecipação dos pagamentos aos bancos era angariar aliados no mercado bancário que poderiam ajudar no crescimento da instituição financeira que pertenceu a Daniel Vorcaro. Hoje, se sabe que o Master tomou emprestado e emprestou dinheiro junto a outros bancos e banqueiros.

A informação sobre a atuação do Master na Conta Covid foi passada a O Brasilianista por fontes com ótimo trânsito na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e outras ligadas às distribuidoras de energia. O Ministério de Minas e Energia afirmou em nota que “desconhece e nega veementemente qualquer tipo de envolvimento da referida instituição financeira citada no processo de quitação integral e antecipada da chamada Conta-Covid, em 2024”.

Me ajude a ajudar

A ajuda do Master nesse caso foi feita por meio dos contatos políticos comprados por Vorcaro com milhões de reais e festas que deixariam Nero, o imperador romano, com inveja.

A antecipação do pagamento da Conta Covid foi aprovada pelo Ministério de Minas e Energia comandado por Alexandre Silveira. A projeção da pasta previa que o pagamento antecipado garantiria economia de quase R$ 590 milhões aos consumidores, mas o valor final ficou em pouco mais de R$ 46 milhões.

Os bancos receberam R$ 285 milhões por conta do adiantamento, pois esse pagamento antecipado acionou cláusulas previstas no contrato assinado durante a pandemia, para garantir os empréstimos.

A nota do MME

O Ministério de Minas e Energia (MME) desconhece e nega veementemente qualquer tipo de envolvimento da referida instituição financeira citada no processo de quitação integral e antecipada da chamada Conta-Covid, em 2024.

O empréstimo, realizado pela gestão anterior, em 2020, contou com a participação de 16 instituições financeiras – nenhuma delas sendo o banco mencionado. 

O MME esclarece que o processo de quitação antecipada da dívida, em 2024, envolveu um processo transparente e operacionalizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e permitiu redução tarifária na conta dos consumidores brasileiros, uma vez que o rateio do empréstimo foi retirado da composição da conta de energia.

O MME informa, ainda, que a estimativa de R$ 500 milhões de redução nos juros do empréstimo foi feita pela CCEE, como base na data prevista na época do início das negociações.

A crise como oportunidade

Durante a Pandemia da Covid-19, a flexibilização das leis de licitação para compras emergenciais facilitou diversos esquemas de corrupção. Foram descobertas fraudes na aquisição de insumos médicos essenciais, como máscaras de proteção e testes rápidos, e o não fornecimento de equipamentos, como respiradores mecânicos na Bahia.

Diversos estados e municípios foram alvo de investigações por irregularidades na montagem e gestão de hospitais de campanha, resultando em prisões e afastamentos preventivos de governadores e secretários de saúde. No âmbito federal, a CPI da Pandemia expôs suspeitas de propina e intermediadores ilícitos nas negociações de imunizantes.

Dentre os casos estão o da vacina indiana Covaxin — negociada por meio da intermediária Precisa Medicamentos com indícios de superfaturamento e garantias bancárias irregulares — e o da negociação de doses da AstraZeneca por meio da empresa Davati, com pedido de propina por dose de vacina.

A ponte com Michel

Ao anunciar Gustavo Rocha como seu candidato a vice na chapa ao Governo do Distrito Federal (DF), Celina Leão conseguiu uma ponte com Michel Temer, padrinho político de Ibaneis Rocha, ex-governador do DF.

Celina foi vice de Ibaneis, assim como Rocha foi o principal secretário do ex-governador ao chefiar a Casa Civil distrital. Gustavo Rocha é do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal, instituição religiosa evangélica — grupo onde Michelle Bolsonaro, principal aliada de Celina, tem muita influência.

Quase todos os citados têm uma coisa em comum: o Banco Master.

Ibaneis Rocha admitiu que conheceu Vorcaro e que o banqueiro lhe pagou dois vinhos. Celina, ex-vice de Ibaneis, diz que tenta de salvar o BRB, que quase foi destruído por Vorcaro para salvar o Master, mesmo tendo participado da gestão do governo distrital desde 2022.

Michelle é madrasta de Flávio, que pediu milhões de reais a Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme Dark Horse, que contará a história de Jair Bolsonaro, marido da ex-primeira-dama. E Gustavo Rocha é muito próximo de Michel Temer, que prestou serviços a Daniel Vorcaro, e integrou o governo Ibaneis tanto quanto Celina.