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Justiça

Entenda por que indiciamento do presidente da ANM aumenta a pressão sobre Alexandre Silveira

Dirigente da agência reguladora é investigado pela Polícia Federal

Entenda por que indiciamento do presidente da ANM aumenta a pressão sobre Alexandre Silveira

A Polícia Federal indiciou o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, o diretor da autarquia Caio Trivelatto, empresários e servidores públicos por suspeita de corrupção em duas investigações sobre irregularidades no setor de mineração em Minas Gerais.

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Ao todo, mais de 40 pessoas foram indiciadas nas operações Rejeito e Parcours, que apuram crimes relacionados à exploração mineral e à atuação de agentes públicos.

Mauro Sousa e Trivelatto são suspeitos de favorecer interesses privados ligados ao setor minerário.

Chefe da ANM é alvo da PF

Mauro Henrique Moreira Sousa foi indiciado na Operação Parcours por suspeita de manter relação incompatível com o cargo ao atuar em favor do empresário Luis Fernando Franceschini.

A Polícia Federal afirma que mensagens obtidas durante a investigação apontam encontros, tratativas e acompanhamento de assuntos internos da agência reguladora.

O diretor da ANM Caio Trivelatto foi indiciado na Operação Rejeito. Para a PF, ele teria atuado para favorecer empresas ligadas ao empresário Alan Cavalcante em disputas minerárias, influenciando decisões administrativas e normativas.

A presidência da ANM é vinculada ao Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira.

Mauro Henrique Moreira Sousa foi indicado para o cargo durante a gestão do ministro, e seu indiciamento aumenta a pressão política sobre a pasta.

Ministro já acumulava desgastes

Como informou O Brasilianista, Alexandre Silveira foi citado na proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

O banqueiro afirmou ter realizado um suposto repasse de R$ 20 milhões em caixa dois para a campanha de Silveira ao Senado em 2022.

A proposta segue em análise e investigadores consideraram insuficientes os elementos apresentados na primeira versão. O ministro nega as acusações.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o então presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, já haviam alertado reservadamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os riscos políticos de manter Alexandre Silveira no comando do Ministério de Minas e Energia. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto no fim de 2024.

Gestão também enfrenta questionamentos

Um dos episódios que motivaram os alertas feitos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a atuação do Ministério de Minas e Energia na operação que permitiu a compra da Amazonas Energia pela Âmbar Energia, empresa do grupo J&F.

A pasta defendeu a aprovação da negociação nos termos desejados pela empresa, mas a conclusão da operação só ocorreu após decisão da Justiça.

Outro episódio citado foi a antecipação da Conta Covid, mecanismo criado durante a pandemia para financiar distribuidoras de energia.

A proposta do Ministério de Minas e Energia era quitar antecipadamente os empréstimos para reduzir as tarifas aos consumidores.

Porém, a operação acabou gerando custos adicionais em razão das taxas cobradas pelas instituições financeiras para antecipar a liquidação da dívida.

Segundo O Brasilianista, outro foco de desgaste envolve o leilão de reserva de capacidade de energia realizado neste ano.

A Justiça Federal suspendeu os efeitos do certame, estimado em cerca de R$ 515 bilhões, após questionamentos sobre alterações nos critérios utilizados e pedidos de esclarecimento do Tribunal de Contas da União (TCU).

Ainda conforme O Brasilianista, levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia calcula que medidas adotadas pelo Ministério de Minas e Energia poderão gerar custos próximos de R$ 1 trilhão aos consumidores até 2050.

A estimativa considera despesas relacionadas ao leilão de energia, ao Tratado de Itaipu e a benefícios tarifários concedidos ao setor elétrico.

O que dizem os investigados

Entre os empresários indiciados também estão Alan Cavalcante e Lucas Kallas.

A investigação aponta que ambos participaram de um esquema de exploração mineral irregular na Serra do Curral, com suspeitas de crimes ambientais, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência.

Alan Cavalcante informou ao UOL que não comentaria o caso.

A defesa de Lucas Kallas afirmou que o empresário é inocente e que os fatos investigados já haviam sido analisados anteriormente.

A Agência Nacional de Mineração declarou que Mauro Henrique Moreira Sousa não tinha conhecimento do indiciamento quando foi procurado e, por isso, não se manifestaria.

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