A revelação de que o fundo Gold Style realizou operações com uma fintech investigada por suposta atuação para o PCC e também com uma empresa ligada aos repasses financeiros do filme “Dark Horse” acrescentou um novo elemento às apurações que cercam a produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O fundo possui patrimônio de R$ 1,84 bilhão e aparece em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações consideradas de difícil rastreamento.
O Gold Style Fundo de Investimento em Direitos Creditórios teria realizado transações com a BK Bank, fintech investigada na Operação Carbono Oculto, e também com a Entre Investimentos e Participações, empresa apontada como intermediária em repasses destinados à produção do filme.
Os documentos analisados pelo Coaf também relacionam o fundo a operações com debêntures privadas que somariam R$ 3,6 bilhões.
Os relatórios apontam que o fundo foi utilizado em operações que dificultariam a identificação de beneficiários finais e o rastreamento de recursos. A administradora do fundo, Reag Trust, informou que não comentaria o caso.
Mais um capítulo da produção cinematográfica
O novo episódio ocorre em meio a uma sequência de controvérsias envolvendo o financiamento do longa-metragem. Como mostrou O Brasilianista, o caso passou a ganhar dimensão nacional após a divulgação das negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro para viabilizar a produção do filme.
Ainda segundo O Brasilianista, documentos divulgados nos últimos meses apontaram a existência de um cronograma de aportes que poderia alcançar aproximadamente R$ 134 milhões. Parte das movimentações financeiras relacionadas ao projeto passou a ser analisada por autoridades e órgãos de controle.
As apurações também ampliaram o foco sobre pessoas e estruturas empresariais associadas ao longa. Como relatou O Brasilianista, o debate deixou de se concentrar apenas na produção cinematográfica e passou a envolver contratos, repasses financeiros e relações empresariais ligadas ao projeto.
Contratos públicos entraram no radar
Um dos desdobramentos mais recentes ocorreu na Prefeitura de São Paulo. O prefeito Ricardo Nunes determinou o afastamento do gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), Rodrigo Raveli Bolzan, após a abertura de uma investigação da Controladoria-Geral do Município.
A apuração busca esclarecer uma suposta ligação entre o servidor e organizações vinculadas à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme e também associada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). A investigação foi aberta após questionamentos sobre a atuação de empresas e entidades relacionadas ao grupo.
O ICB é alvo de investigações sobre um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos de internet gratuita. O acordo original era de R$ 108 milhões e posteriormente recebeu aditivos que ampliaram os valores envolvidos.
Operação policial aumentou a pressão
Outro marco importante ocorreu com a deflagração da Operação Wi-Fi. Conforme relatou O Brasilianista, a Polícia Civil de São Paulo passou a investigar possíveis irregularidades relacionadas ao contrato firmado entre o ICB e a administração municipal.
A operação ampliou a exposição pública de Karina Ferreira da Gama, que aparece simultaneamente como dirigente da entidade investigada e como responsável pela produtora ligada ao filme. A investigação procura esclarecer a execução dos recursos e possíveis desvios relacionados ao projeto.
Impactos chegaram ao ambiente político
Os desdobramentos também alcançaram aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Brasilianista destacou que lideranças da direita passaram a discutir os efeitos eleitorais das denúncias e investigações associadas ao caso.
Entre os episódios que ampliaram a repercussão esteve a divulgação de críticas públicas feitas por Romeu Zema ao senador Flávio Bolsonaro.
O assunto gerou reações de integrantes do campo conservador e aprofundou debates sobre os efeitos políticos do financiamento do longa.
O Brasilianista revelou novos questionamentos envolvendo o deputado federal Mário Frias, produtor-executivo do filme, após denúncias feitas por uma ex-funcionária de seu gabinete. O parlamentar também aparece entre os principais nomes associados à produção.

