O Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho no Brasil, é considerado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a sexta data mais importante do calendário comercial do país. Mesmo com a oscilação dos preços, o comércio deve movimentar R$ 2,84 bilhões, um crescimento real de 2,5% em relação ao ano passado, já descontada a inflação.
Na opinião do economista Cesar Bergo, existem várias datas ao longo do ano que favorecem o comércio, como o Dia das Mães, o Dia das Crianças, o Natal e a Páscoa. No entanto, o Dia dos Namorados é um momento muito importante para a movimentação do varejo e do turismo. Este último é beneficiado pelo aumento da demanda em hotéis, restaurantes e bares, além dos transportes aéreo e rodoviário.
“No comércio, há alguns produtos que se destacam, como chocolates, perfumaria, joias, cosméticos, roupas e flores. É uma gama muito grande de itens que fazem parte da celebração dessa data, movimentando a economia. Trata-se de uma data sazonal e o mês de junho depende muito dessas vendas. Muitos comerciantes se preparam especificamente para esse momento. Mesmo com as festas juninas, elas não se comparam à celebração do Dia dos Namorados. Além disso, é uma data bastante abrangente, porque namorados, noivos e casados aproveitam a ocasião para celebrar com seus companheiros. O comércio ganha muito com isso, assim como a economia, porque o volume de recursos em circulação é bastante expressivo”, destaca Cesar Bergo.
Alta dos preços
De acordo com a CNC, presentear a pessoa amada vai exigir um pouco mais de planejamento financeiro no Dia dos Namorados de 2026. Dados apontam que o conjunto de bens e serviços mais consumidos na data registrou alta média de 5,8% em 2026.
O índice, baseado nas variações do IPCA-15 e divulgado na última segunda-feira (08), mostra diferenças significativas nos preços dos presentes.
A combinação entre preços mais elevados e restrição ao crédito acaba alterando a preferência dos consumidores. O segmento de vestuário, calçados e acessórios lidera o volume total de faturamento, com projeção de R$ 1,116 bilhão, o equivalente a quase 40% do total movimentado na data. Ainda assim, o setor deve registrar retração de 1,4% nas vendas em comparação ao ano passado.
“Com os juros ao consumidor no maior patamar em nove anos e o endividamento registrando recordes históricos, a tendência aponta para um consumo mais moderado e com maior aversão ao crédito, levando o consumidor a priorizar itens que exigem menos empréstimos e financiamentos. Esse é um dos motivos pelos quais os itens de vestuário devem se destacar nesta data, que figura entre as seis mais importantes do varejo brasileiro”, avalia o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
O economista Cesar Bergo recomenda planejamento e disciplina na hora das compras, principalmente em relação ao uso do cartão de crédito.
“Não comprar por impulso é muito importante neste momento, para não gastar além do que cabe no orçamento. Mas também é importante não deixar de celebrar, porque são momentos como esse que fazem com que as pessoas vivam com alegria e sejam felizes”, complementa.
Assim como Bergo, o economista Newton Marques concorda que o consumo faz parte da data e que ela merece ser comemorada.
“Existe até um slogan no comércio: não são apenas os beijos e as juras de amor que mantêm um relacionamento de namoro ou casamento. Também é preciso criatividade. Presentes como chocolates, jantares, joias, roupas e calçados fazem parte da celebração. E, coincidindo com uma sexta-feira, fica melhor ainda, porque muitas pessoas aproveitam para fazer viagens rápidas para destinos próximos ou até mesmo bate-voltas de avião”, conclui.
Novos estímulos
Segundo o economista Newton Marques, o Dia dos Namorados, comemorado em junho no Brasil, diferentemente de grande parte dos países, onde a celebração ocorre em fevereiro, é uma estratégia para impulsionar as vendas em um período tradicionalmente mais fraco para o comércio.
“Qualquer estímulo ao comércio é motivo para criar, manter ou ampliar empregos e renda. Neste ano, a data coincide com a Copa do Mundo, outro fator que pode impulsionar as vendas do comércio, principalmente no setor de eletroeletrônicos”, afirma Newton.
As lojas de artigos de uso pessoal e doméstico, impulsionadas pelos eletroeletrônicos, devem registrar crescimento de 4,3%, com faturamento estimado em R$ 346 milhões. Já os segmentos de farmácias, perfumarias e cosméticos devem apresentar alta de 8,2%, movimentando cerca de R$ 875 milhões.
Juntos, esses dois segmentos deverão responder por 43% de toda a movimentação financeira prevista para a data.

