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Geopolítica

Tudo o que sabemos sobre o acordo de paz entre EUA e Irã

Anúncio provocou queda superior a 4% no petróleo, alta nas bolsas globais e reações de líderes internacionais

Tudo o que sabemos sobre o acordo de paz entre EUA e Irã

O acordo anunciado neste domingo (14) entre Estados Unidos e Irã representa o avanço diplomático mais significativo desde o início da guerra, em fevereiro deste ano.

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O entendimento prevê o encerramento das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de uma nova rodada de negociações sobre temas que permanecem sem solução, como o programa nuclear iraniano e o alívio de sanções econômicas.

O pacto foi confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo governo iraniano e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador das negociações. A assinatura oficial está prevista para sexta-feira (19), na Suíça.

Como o acordo foi anunciado

Trump declarou que “o acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído” e afirmou que autorizou o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos e a reabertura do Estreito de Ormuz.

O anúncio ocorreu poucas horas após Sharif informar que Washington e Teerã haviam chegado a um entendimento para encerrar permanentemente as operações militares em todas as frentes do conflito, incluindo o Líbano.

O tratado foi fechado mais de três meses após o início da guerra e após uma intensa articulação diplomática conduzida por mediadores regionais, em meio ao aumento da pressão econômica e política sobre os dois governos.

O que já se sabe sobre os termos

Os detalhes completos ainda não foram divulgados oficialmente, mas algumas informações foram confirmadas por autoridades envolvidas nas negociações.

O entendimento preliminar prevê um cessar-fogo de 60 dias, a suspensão das hostilidades em diferentes frentes da guerra, a flexibilização gradual das sanções contra o Irã e a retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

O acordo também prevê o encerramento dos bloqueios mantidos pelos dois países na região e a abertura de uma nova fase de negociações diplomáticas voltadas para questões nucleares e econômicas.

O texto conhecido até o momento funciona mais como um acordo-quadro do que como uma solução definitiva para as causas do conflito, estabelecendo compromissos para futuras negociações que deverão ocorrer ao longo dos próximos 60 dias.

O papel estratégico do Estreito de Ormuz

Um dos pontos centrais do acordo é a reabertura do Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de energia.

Aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido globalmente passa pela região. O bloqueio imposto durante a guerra provocou impactos diretos nos preços da energia e aumentou os temores de desabastecimento em diversos países.

Economias asiáticas foram particularmente afetadas pelo fechamento da passagem marítima, já que dependem fortemente do petróleo e do gás provenientes do Oriente Médio.

Trump afirmou que a reabertura ocorrerá após a assinatura do acordo, enquanto autoridades iranianas falam em um processo gradual que pode levar até 30 dias para restabelecer plenamente o fluxo comercial.

Por que o programa nuclear continua sendo o principal impasse

Apesar do avanço diplomático, o futuro do programa nuclear iraniano continua indefinido.

Autoridades americanas defendem que um acordo definitivo leve ao desmantelamento do programa nuclear iraniano e à eliminação dos estoques de urânio altamente enriquecido.

O governo iraniano, por outro lado, sustenta que qualquer solução deverá preservar o direito do país de administrar seu programa nuclear para fins civis.

Essa continua sendo a principal divergência entre os dois lados e que o sucesso do acordo dependerá da capacidade de encontrar um modelo que permita fiscalização internacional ao mesmo tempo em que atenda às exigências de soberania apresentadas por Teerã.

O que acontece com as sanções

Líderes europeus já sinalizaram disposição para suspender restrições econômicas caso o governo iraniano adote medidas verificáveis relacionadas ao seu programa nuclear.

Uma das versões preliminares do acordo prevê a liberação de até US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior.

A flexibilização das sanções deverá ocorrer de forma gradual e condicionada ao cumprimento dos compromissos assumidos por Teerã durante o processo de implementação do acordo.

Israel continua sendo uma incógnita

Embora os Estados Unidos e o Irã tenham anunciado o entendimento, Israel não participa formalmente do acordo.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pacto, mas integrantes do governo israelense já demonstraram resistência a qualquer medida que limite suas operações militares no Líbano.

O ministro israelense Itamar Ben-Gvir criticou publicamente o entendimento e afirmou que Israel não se considera vinculado ao acordo firmado entre Washington e Teerã.

Como os mercados reagiram

O anúncio teve efeito imediato sobre os mercados internacionais. Os contratos futuros do petróleo Brent registraram queda superior a 4% após a divulgação do acordo, refletindo a expectativa de normalização do fluxo energético global.

O bitcoin voltou a operar acima dos US$ 65 mil, enquanto os índices futuros das bolsas americanas avançaram diante da redução da percepção de risco geopolítico.

Os mercados asiáticos também reagiram positivamente, com altas próximas de 5% em importantes bolsas da região.

O que acontece agora

A próxima etapa será a assinatura oficial do memorando na Suíça, prevista para sexta-feira (19).

Após esse passo, deverá começar um período de aproximadamente 60 dias de negociações para definir temas considerados mais sensíveis, incluindo o futuro do programa nuclear iraniano, a retirada de sanções econômicas, a liberação de ativos congelados e os mecanismos de verificação internacional.

Embora represente o maior avanço diplomático desde o início da guerra, o acordo anunciado neste domingo ainda depende de sua implementação prática e da capacidade dos envolvidos de transformar o cessar-fogo inicial em um entendimento permanente para a região.

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