O Grupo dos Sete (G7) voltou ao centro das atenções internacionais nesta semana com a realização da cúpula anual em Évian-les-Bains, na França.
O encontro reúne os chefes de governo das principais economias industrializadas do planeta em um momento marcado por conflitos internacionais, disputas comerciais, transição energética e avanços acelerados da inteligência artificial.
A edição deste ano ocorre sob a sombra de um dos temas mais sensíveis da atualidade, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A recente negociação entre Washington e Teerã para reabrir o Estreito de Ormuz deve dominar boa parte das conversas entre os líderes mundiais.
O que é o G7
O G7 é um fórum informal de coordenação política e econômica criado em 1975, durante um período de forte instabilidade provocado pela crise internacional do petróleo.
Diferentemente de organismos como Organização das Nações Unidas (ONU), Fundo Monetário Internacional (FMI) ou Banco Mundial, o grupo não possui tratado constitutivo, sede permanente ou estrutura burocrática fixa.
O principal diferencial do G7 é justamente sua informalidade, permitindo que líderes discutam diretamente temas estratégicos globais e coordenem respostas conjuntas para crises internacionais.
Quem faz parte
Atualmente, os integrantes permanentes são:
Além dos sete países, a União Europeia participa das reuniões como membro permanente não numerado.
Quanto poder o G7 possui
Embora reúna apenas sete países, o grupo continua exercendo enorme influência sobre a economia mundial.
As nações do G7 representam aproximadamente 45% do Produto Interno Bruto (PIB) global, mesmo concentrando cerca de 10% da população do planeta.
Os países do bloco também respondem por aproximadamente 75% da assistência oficial ao desenvolvimento registrada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Ao longo das últimas décadas, decisões discutidas no fórum influenciaram temas como:
- sanções econômicas internacionais;
- combate às mudanças climáticas;
- segurança energética;
- tributação global;
- inteligência artificial;
- conflitos armados;
- financiamento internacional.
O que está sendo discutido na cúpula de 2026
O acordo anunciado por Donald Trump para reabrir o Estreito de Ormuz reduziu parte das tensões no mercado internacional de energia, mas ainda existem dúvidas sobre sua implementação.
A passagem marítima é considerada estratégica porque aproximadamente 20% do petróleo consumido mundialmente circula pela região.
Além da crise no Oriente Médio, os líderes também discutem:
- guerra na Ucrânia;
- inteligência artificial;
- comércio internacional;
- imigração;
- minerais críticos;
- segurança energética;
- investimentos globais.
Outro ponto observado pelos participantes é a postura de Trump em relação aos aliados europeus. O presidente americano tem acumulado divergências com governos da França, Alemanha e Reino Unido em temas como Otan, imigração e relações com o Irã.
O que foi o G8
Entre 1998 e 2014, o grupo passou a ser chamado de G8. A mudança ocorreu após a entrada da Rússia, em uma tentativa de aproximação entre Moscou e as potências ocidentais após o fim da Guerra Fria.
O cenário mudou em 2014. Após a anexação da Crimeia, território pertencente à Ucrânia, a Rússia foi suspensa do fórum. Desde então, o grupo voltou a operar como G7.
Qual a diferença entre G7 e G20
Uma das confusões mais comuns envolve a diferença entre G7 e G20. O G7 reúne apenas as principais economias industrializadas e desenvolvidas do planeta.
Já o G20 possui uma composição muito mais ampla. O grupo reúne:
- Estados Unidos;
- Canadá;
- Alemanha;
- França;
- Itália;
- Reino Unido;
- Japão;
- Brasil;
- China;
- Índia;
- Rússia;
- África do Sul;
- Argentina;
- México;
- Austrália;
- Indonésia;
- Coreia do Sul;
- Arábia Saudita;
- Turquia;
- União Europeia.
Segundo o governo francês, os integrantes do G20 representam cerca de 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e aproximadamente dois terços da população global.
Por isso, o G20 é considerado atualmente o principal fórum de coordenação econômica internacional.
Relação com o Brics
O crescimento dos países emergentes mudou significativamente a geopolítica global nas últimas duas décadas.
Hoje, diversas economias que não fazem parte do G7 possuem peso econômico comparável ou superior ao de integrantes tradicionais do grupo.
É o caso da China e da Índia. Ambas integram o Brics, mas estão fora do G7. Atualmente, o Brics reúne: Brasil; Rússia; Índia; China; África do Sul; Arábia Saudita; Egito; Emirados Árabes Unidos; Etiópia e Irã.
O bloco ampliado passou a representar quase metade da população mundial e cerca de 30% da economia global.
Essa expansão reforçou a influência dos emergentes em debates sobre comércio, financiamento internacional, infraestrutura e governança global.
Países do Brics presentes na cúpula do G7
Embora não façam parte do grupo permanente, alguns integrantes do Brics participam regularmente das reuniões como convidados.
Na edição atual, os principais representantes do Brics presentes ou convidados para diálogos paralelos são: Brasil; Índia e África do Sul.
A China e a Rússia não integram o G7 e historicamente mantêm relação mais distante com o bloco. No caso russo, a exclusão ocorreu após a crise da Crimeia.
Já a ausência da China é frequentemente apontada por analistas como uma das maiores limitações do grupo, uma vez que o país possui atualmente a segunda maior economia do mundo.

