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Justiça

Caso Master: Vorcaro, de banqueiro a mafioso?

Relatórios da PF descrevem suposta estrutura paralela usada para espionagem e intimidação

Caso Master: Vorcaro, de banqueiro a mafioso?

A Polícia Federal identificou indícios de que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, discutiu a realização de ações de intimidação contra adversários e desafetos por meio de um grupo conhecido como “A Turma”.

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Entre os episódios revelados nos autos da Operação Compliance Zero está um plano que previa uma emboscada contra o ex-jogador da NBA Ronald Fred Seikaly, para o qual Vorcaro chegou a mencionar o investimento de R$ 10 milhões, segundo mensagens analisadas pelos investigadores.

Os documentos vieram a público após decisões do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou parte do sigilo da investigação.

As informações integram um conjunto de apurações que levou à prisão de Daniel Vorcaro e de pessoas apontadas pela PF como integrantes de uma estrutura voltada à obtenção de dados sigilosos, monitoramento de alvos e supostas ações de intimidação.

Plano contra ex-jogador da NBA

Ronald Fred Seikaly, conhecido como Rony Seikaly, teria sido alvo de uma operação discutida entre Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário. O ex-atleta teve um relacionamento com Martha Graeff, então companheira do banqueiro, e é pai de uma filha dela.

Segundo as mensagens interceptadas pela Polícia Federal, Vorcaro cogitou diferentes estratégias para atingir o DJ e ex-jogador. Uma delas previa a simulação de um episódio envolvendo drogas.

Outra envolvia atrair Seikaly ao Brasil para que sofresse pressão de integrantes da estrutura investigada e de agentes que seriam mobilizados pelo grupo.

Integrantes da organização chegaram a utilizar informações obtidas de forma irregular em sistemas públicos para levantar dados sobre o ex-atleta.

Os investigadores também identificaram tentativas de produzir documentos falsos em nome da Interpol para pressionar o alvo.

Vorcaro teria prometido investir R$ 10 milhões na operação e mobilizado integrantes de “A Turma” para perseguir, intimidar e constranger Seikaly.

A Polícia Federal encontrou mensagens nas quais o banqueiro discutia o uso de um suposto contato na Interpol e avaliava que uma pressão internacional poderia causar mais impacto do que outras formas de intimidação.

O que é “A Turma”?

As revelações sobre o caso do ex-jogador se somam a outras acusações envolvendo o grupo apontado pela PF como responsável por executar ações paralelas de monitoramento e pressão.

Mensagens extraídas dos autos indicam que integrantes da organização discutiram a possibilidade de agredir o jornalista Lauro Jardim após a publicação de reportagens consideradas prejudiciais aos interesses de Vorcaro. Os diálogos mencionam a simulação de um assalto com o objetivo de intimidar o profissional.

Como O Brasilianista divulgou, na decisão que autorizou medidas cautelares e prisões, Mendonça descreveu “A Turma” como uma estrutura voltada à vigilância, obtenção de informações e ações contra pessoas consideradas adversárias do grupo investigado. A Polícia Federal sustenta que a organização atuava paralelamente às operações financeiras investigadas no caso Master.

Os investigadores apontam que a atuação do grupo não se limitava à coleta de informações. Segundo os autos, havia planejamento de ações voltadas a constranger, pressionar ou neutralizar alvos considerados inconvenientes para os interesses de integrantes da organização.

Relatos incluem simulação de sequestro

Outro episódio atribuído à estrutura investigada envolve a discussão de ações violentas contra diferentes alvos.

Conversas atribuídas a Vorcaro e a Luiz Phillipi Mourão mencionavam a possibilidade de simular sequestros e promover agressões físicas contra pessoas consideradas adversárias.

Os diálogos integraram os elementos utilizados pela Polícia Federal para justificar novas fases da Operação Compliance Zero.

As investigações também apontam que integrantes do grupo teriam recorrido a consultas indevidas em sistemas públicos e à obtenção de informações sigilosas para monitorar pessoas de interesse da organização.

O Brasilianista mostrou, que a divulgação dos documentos ocorreu no mesmo contexto em que a Segunda Turma do STF manteve as prisões preventivas de Henrique Vorcaro e Felipe Vorcaro.

Durante o julgamento, os ministros discutiram a gravidade das acusações relacionadas à continuidade de práticas investigadas e aos métodos atribuídos ao grupo apontado pela Polícia Federal.

Até o momento, os fatos relatados integram investigações em andamento da Operação Compliance Zero e seguem sob análise das autoridades responsáveis pelo caso.

Ameaça contra funcionária entrou na investigação

Desta vez, o foco das mensagens foi uma funcionária ligada à atriz Monique Alfradique, que teria sido apontada pelo ex-banqueiro como alvo de represália após uma suposta ameaça.

Vorcaro encaminhou ao empresário Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, o nome e o telefone da mulher acompanhado da mensagem: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”.

Na sequência, Mourão teria enviado um arquivo contendo dados pessoais e uma fotografia da funcionária.

O material analisado pela Polícia Federal não detalha se houve qualquer ação posterior relacionada ao episódio nem aponta desdobramentos concretos após a troca de mensagens.

O Brasilianista procurou a defesa de Daniel Vorcaro para comentar os fatos citados na investigação, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

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