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Justiça

De “avião para as kengas” à paranoia com espionagem: as relações de Vorcaro em Trancoso

Mensagens demonstram obsessão do ex-banqueiro em monitorar pessoas e transportes próximos aos seus bens

De “avião para as kengas” à paranoia com espionagem: as relações de Vorcaro em Trancoso

Em documentos divulgados pela Polícia Federal (PF), Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, solicitou aos seus operadores um “avião para as kengas”, após ser informado sobre um voo com autoridades políticas. O requerimento de Vorcaro foi transmitido a Leo Serrano Giunchetti e, segundo informações da PF, os eventos do ex-banqueiro contavam com a presença de garotas de programa.

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Segundo apurou o Bnews, o caso ocorreu em abril de 2024, e veio à tona na última terça-feira (16) através de mensagens que foram interceptadas pela PF. Conforme reportagem, o Tribunal de Contas da União (TCU), junto ao Ministério Público, solicitou a abertura de um inquérito acerca das festas ocorridas em Trancoso, no sul da Bahia, para investigar a presença de autoridades políticas e magistrados.

Paranoia com espionagem

Ainda em Trancoso, outras mensagens divulgadas pela PF demonstram a paranoia do ex-banqueiro com a espionagem de seus bens. Conforme reportagem do Bnews, mensagens extraídas do Iphone 17 Pro de Vorcaro em documento da Informação de Polícia Judiciária de Análise confirmam que o ex-dono do Master era obcecado com a possibilidade de estar sendo monitorado ou espionado.

Em conversa com o seu braço direito operacional Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, Vorcaro relatou o sobrevoo de um helicóptero em sua residência em Trancoso, e solicita a ação do seu membro da “Turma”.

“Esse heli de empresa área sobrevoou minha casa na Bahia 40 minutos na sexta. Fazendo todo perímetro. Eu vou ter que ir pra cima da empresa em nome da prime. Com queixa crime formal na polícia”

Em resposta, Sicário pergunta se o banqueiro precisa que a “turma vá para cima”, a fim de localizar e descobrir mais informações sobre a aeronave. Conforme reportagem do Bnews, este episódio foi culminado pela obsessão de Vorcaro no monitoramento de pessoas ou transportes que se aproximassem dos seus bens. A sua casa de veraneio em Trancoso é avaliada em R$ 280 milhões.

Delírio se converte em violação de documentos no Ministério Público Federal

De acordo com o relatório da PF, o caso evidenciou a capacidade da Turma do Vorcaro de violar o sigilo de informações do estado. Isso, pois, pouco tempo após a troca de mensagens, Sicário interceptou um documento que tramitava no Ministério Público Federal (MPF) acerca da aeronave que sobrevoava a residência.

Segundo o documento confidencial, o helicóptero era da empresa de táxi aéreo Rotorfly Táxi Aéreo e Serviços Aéreos Especializados Ltda, e o ofício vazado foi enviado à companhia, solicitando respostas sobre o seu fretamento.

Conforme o relatório da PF, o vazamento causou estranheza por não constar a assinatura digital e nem manuscrita. Levando o nome de Ana Carolina Castro Tinelli, a ata considerou que um documento classificado como urgente e confidencial da MPF deveria estar assinado.

“O ofício traz o nome de ANA CAROLINA CASTRO TINELLI no campo destinado à assinatura, porém não possui assinatura digital nem assinatura manuscrita. […] Contudo, causa estranheza o fato de um ofício supostamente emitido pelo MPF não apresentar qualquer assinatura, seja digital ou manuscrita, ainda mais por se tratar de um documento classificado como urgente e sigiloso”, confirma o relatório da PF.

Paranoia de Vorcaro vira teoria da conspiração

Conforme apurou O Brasilianista, a prisão de Vorcaro não pausou sua paranoia. Segundo aliados, o ex-banqueiro culpa a sua situação de encarceramento a um possível poder rival, que estaria tentando derrubá-lo do poder.

Além disso, Vorcaro crê que não cometeu crimes, apenas efetuou jogadas de proximidade para se manter perto de figuras de poder. É assim que o ex-dono do Master avalia suas contribuições com agentes políticos, empresas familiares de magistrados e, até, o financiamento do filme Dark Horse.

Uso de documentos exclusivos do sistema da PF levanta suspeitas de espionagem na corporação

O gerenciador da Turma do Vorcaro, Sicário, em outro momento enviou a Vorcaro um print do EPOL, sistema utilizado exclusivamente pela PF para controle de procedimentos, e de uso restrito pela corporação. O relatório aponta que o crime ocorreu em 15 de setembro de 2025.

A consulta apresentava o resultado de inquéritos abertos contra o banqueiro. Com os dados, os investigadores avaliam a gravidade do caso, considerando a quebra da segurança institucional.

O Brasilianista procurou a defesa de Vorcaro, que indicou não ter respostas no momento. Foram realizadas tentativas de ligação, envios de e-mails e de mensagens que demoram a ser recebidas. O espaço segue aberto para a manifestação.

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