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Economia

Investimento global em energia limpa bate recorde, mas transição energética perde ritmo

Levantamento mostra US$ 3,3 trilhões aplicados na transformação da matriz energética em 2025

Investimento global em energia limpa bate recorde, mas transição energética perde ritmo

O investimento global em transição energética alcançou US$ 3,3 trilhões em 2025, o maior volume já registrado, mas o avanço da transformação do setor perdeu velocidade pela primeira vez em mais de uma década.

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O dado faz parte do Índice de Transição Energética divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, que também colocou o Brasil na 17ª posição entre os países avaliados, à frente dos Estados Unidos e na liderança da América Latina.

Brasil avança em energia renovável

O relatório aponta que o Brasil reúne características que o colocam entre os destaques da transição energética mundial.

O país combina elevada participação de fontes renováveis na geração elétrica com a expansão de projetos de energia solar, eólica, biocombustíveis e combustíveis sustentáveis para aviação.

O levantamento também destaca melhorias na infraestrutura elétrica brasileira. As perdas nos sistemas de transmissão e distribuição diminuíram nos últimos anos como resultado de investimentos realizados anteriormente, ampliando a eficiência do maior sistema elétrico interligado da América Latina.

Ainda de acordo com o estudo, o desempenho brasileiro ocorre em um momento de aumento da demanda mundial por eletricidade.

O crescimento de centros de dados, da inteligência artificial, da digitalização da economia e dos processos de eletrificação tem ampliado a necessidade de energia em diversos países.

Expansão enfrenta limitações estruturais

Apesar dos números recordes de investimento, o Fórum Econômico Mundial identificou uma desaceleração do impulso político voltado à transição energética.

O relatório aponta que o capital continua concentrado em poucas economias, enquanto grande parte do crescimento da demanda ocorre em países emergentes que enfrentam limitações de infraestrutura e custos mais elevados de financiamento.

O documento também chama atenção para fatores externos que afetam a segurança energética. Entre eles está a instabilidade geopolítica em regiões estratégicas para o abastecimento global, como o Estreito de Ormuz, que influencia mercados de petróleo e combustíveis.

Para sustentar o avanço da transição energética, o relatório recomenda três prioridades: reforçar a segurança dos sistemas energéticos, acelerar investimentos em redes de transmissão e ampliar mecanismos capazes de direcionar capital para economias emergentes.

Mudanças regulatórias entram na agenda do setor

Enquanto o cenário internacional discute a expansão da energia limpa, o setor elétrico brasileiro também passa por debates sobre ajustes regulatórios.

O Brasilianista mostrou que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estuda alterações nas regras dos leilões de energia para reduzir riscos de inadimplência e aumentar a segurança das operações de comercialização.

O processo é conduzido em conjunto com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e ainda deverá passar por etapas de consulta pública, análise técnica e avaliação por órgãos do governo federal antes de uma eventual implementação.

As discussões ocorrem em um momento de transformação da matriz elétrica brasileira. Nos últimos anos, houve crescimento acelerado das fontes renováveis, expansão da geração distribuída e aumento da complexidade operacional do sistema.

Segurança energética preocupa especialistas

Na avaliação do advogado especialista em Direito Público César Rezende, os desafios atuais vão além da expansão da geração. Segundo ele, o país enfrenta dificuldades relacionadas à capacidade de armazenamento e escoamento da energia produzida.

“Então, não importa o quanto de energia eu gere, ou tem uma ‘caixa d’água’ suportando esses elétrons para liberar só nas horas que eu estou usando, ou a gente vai continuar com o problema no sistema”, afirma.

Rezende avalia que as discussões regulatórias surgem em resposta a problemas que já afetam o funcionamento do setor. Para ele, questões relacionadas à previsibilidade do sistema, aos cortes de geração e à necessidade de novas soluções tecnológicas já deveriam ter sido enfrentadas anteriormente.

O especialista também observa que parte da inadimplência do setor não está relacionada apenas a questões financeiras. Em muitos casos, o problema decorre da incapacidade de entrega da energia contratada, situação que pode gerar impactos em diferentes agentes do mercado.

Crescimento da demanda exige novos investimentos

O advogado e vice-presidente para assuntos de energia da Comissão de Infraestrutura da OAB-SP, Tiago Lobão Cosenza, avalia que o setor elétrico vive uma fase de mudanças estruturais que exigem atualização das regras vigentes.

“Tivemos uma expansão expressiva das fontes renováveis, crescimento da geração distribuída, aumento da complexidade operativa do sistema e perspectivas de novas cargas relevantes, como data centers e projetos ligados à transformação digital da economia”, explica.

Segundo Cosenza, qualquer alteração regulatória influencia diretamente as decisões de investimento e os sinais econômicos enviados ao mercado.

Por isso, ele defende que eventuais mudanças preservem a previsibilidade necessária para projetos que operam por décadas.

“Costumo sempre destacar que no setor elétrico, a estabilidade regulatória é tão importante quanto a própria infraestrutura física”, avalia.

O avanço da demanda por eletricidade, impulsionado pela digitalização da economia e pela expansão de tecnologias intensivas em consumo energético, aparece como um dos principais desafios para os próximos anos.

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