A Reag, empresa investigada por supostamente lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e ajudar nas fraudes do Banco Master, comprou ingressos num camarote de um show internacional para Jaques Wagner. As informações constam de trechos de relatório da PF relacionado à Operação Compliance Zero citados na decisão de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou busca e apreensão contra o senador e Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
De acordo com a PF, os bilhetes foram comprados para apresentações de uma cantora internacional em Los Angeles, na Califórnia (EUA). O nome da artista não é detalhado na decisão de Mendonça.
Em junho de 2023, o banqueiro Augusto Ferreira Lima orientou sua secretária a comprar os ingressos. As apurações apontam que a transação, que também envolveu tratativas com João Carlos Mansur, foi operacionalizada pela empresa Reag Investimentos S.A, pelo valor total de R$ 63.339.
Mensagens interceptadas mostram a proximidade e o acompanhamento direto do senador em relação aos bilhetes. Em 23 de novembro de 2023, Jaques Wagner questionou Augusto Ferreira Lima sobre os “ingressos de sábado” (referentes ao dia 25/11/2023) e, na sequência, recebeu os arquivos contendo as entradas para um camarote. Posteriormente, o parlamentar solicitou o aumento do número de bilhetes para acomodar cinco pessoas, pedido que foi prontamente atendido pelo banqueiro.
A Polícia Federal aponta que a compra de ingressos e o uso gratuito de aeronaves particulares formam um conjunto de vantagens econômicas de caráter “lateral” oferecidas ao senador. Esses repasses ocorriam em paralelo a transações financeiras e imobiliárias consideradas ainda mais graves pela investigação, como transferências milionárias a empresas familiares e a ocultação da propriedade de um apartamento de luxo em Salvador.
Em contrapartida aos benefícios recebidos, a PF investiga a suposta atuação do senador no Congresso em temas de estrito interesse do grupo econômico, envolvendo matérias de crédito consignado e a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O Brasilianista procurou a defesa dos citados, mas não recebeu retorno até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.

