Assinada na última sexta-feira (12), a Parceria Digital Brasil e União Europeia prevê colaboração bilateral em áreas como inteligência artificial, inovação e conectividade.
Segundo o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP), Kai Lehmann, é preciso entender, primeiro, como este acordo será realizado na prática. “No momento, está no papel”, explica.
De acordo com o especialista, a União Europeia é um dos blocos que está levando a fiscalização e a transformação econômica mais a sério, então há várias iniciativas voltadas a este assunto. Além disso, o debate também está ocorrendo no Brasil. Sendo assim, potencialmente, este acordo tornaria o Brasil um jogador muito importante.
“Potencialmente, o Brasil poderia se tornar um jogador muito importante neste debate, no desenvolvimento da economia digital, e um parceiro importante a um dos principais mercados do mundo, onde a economia digital será muito importante.”
Em reportagem da Valor, o embaixador da Finlândia, Antti Kaski, afirmou que enxerga novas oportunidades de investimentos com o Brasil, estreitando laços de cooperação. Segundo o representante, o potencial da parceria estaria na área da digitalização e da inteligência artificial.
Redução da dependência tecnológica
Um dos pontos levantados na Parceria Digital é, justamente, a redução da dependência tecnológica dos Estados Unidos e da China. Conforme o professor, o acordo possui potencial para tal; no entanto, é necessário um planejamento estratégico e investimentos pesados na área.
“Os dois lados têm potencial e recursos para fazer frente à China e aos Estados Unidos neste sentido, porém a gente não sabe, ainda, como o acordo vai funcionar”, explica. “Isso exige duas coisas. Primeiro, um planejamento estratégico entre os dois lados, então o que eles querem alcançar e como chegar lá. E, em segundo, investimentos pesados ao longo de muito tempo”.
Para o especialista, este tipo de acordo, no papel, se revela promissor. No entanto, é preciso entender se haverá condições políticas de longo prazo para tornar os objetivos em algo prático. Desta maneira, apenas o tratado firmado não garante resultados.
“Na Europa, e potencialmente no Brasil, uma das coisas marcantes dos últimos anos tem sido a falta de planejamento a longo prazo, então eu me preocupo um pouco sobre isso”, comenta. “Potencialmente, [o acordo] é bastante importante, mas resultados concretos e realmente impactantes veremos a médio prazo, não a curto prazo. Então as expectativas a respeito do que vai mudar com o acordo, com mudanças e melhorias, poderão ser vistas a médio ou longo prazo”.
Processo em andamento
O especialista coloca, ainda, as críticas que a União Europeia tem recebido pela demora em encaminhar a transformação digital e no incentivo à inclusão digital. Assim, do ponto de vista do bloco, é possível que o acordo impulsione o desenvolvimento europeu neste campo.
“A União Europeia vê, com certeza, e considera o Brasil um dos líderes [na economia digital], seja na inclusão financeira, com o PIX, conectividade, inclusão digital em áreas remotas”, aborda. “A Europa vê no Brasil um parceiro com o qual é possível aprender bastante no que se trata de inclusão digital”.
Em reportagem da Agência Brasil, o país é o quinto a fechar parcerias bilaterais com o bloco para evolução digital. Além do Brasil, a União Europeia possui acordos com o Canadá, Japão, Coreia do Sul e Singapura.

